Médicos Sem Fronteiras vai divulgar o nome de funcionários palestinianos
- 25/01/2026
Em comunicado, a organização não-governamental Médicos Sem Fronteiras (MSF) lamenta que Israel "tenha deliberadamente colocado" a organização e os seus colegas palestinianos "na posição impossível de fornecer esta informação ou abandonar as centenas de milhares de palestinianos que necessitam de cuidados médicos vitais".
No final do ano passado, Israel anunciou a revogação das licenças de funcionamento das ONG internacionais por não cumprirem novos requisitos que os trabalhadores humanitários descreveram como praticamente impossíveis de cumprir.
As autoridades israelitas tinham solicitado às ONG que apresentassem, no prazo de dez meses, uma série de documentos sobre a sua organização e operações, incluindo uma lista de todos os funcionários, no âmbito de um novo regulamento de registo que permite a rejeição de licenças se houver suspeita, por exemplo, de colaboração com "organizações terroristas" designadas como tal por Israel, como o Movimento de Resistência Islâmica (Hamas).
Agora, e como "medida excecional", a MSF informou que vai fornecer a Israel "uma lista definida com os nomes dos funcionários palestinianos e internacionais, sujeita a parâmetros claros, dando prioridade à segurança do pessoal".
"Esta decisão é o resultado de extensas discussões com os nossos colegas palestinianos e só será adotada com o consentimento expresso das pessoas envolvidas", acrescenta a MSF, na mesma nota, citada pela Europa Press.
A organização não-governamental explica ainda o motivo para a sua relutância: "Estamos legitimamente preocupados em fornecer esta informação num contexto em que 1.700 profissionais de saúde foram mortos, incluindo 15 membros da equipa da MSF, desde outubro de 2023".
A ONG recorda que, "desde 1 de janeiro de 2026" que a sua "equipa internacional está impedida de entrar em Gaza" e que "todos" os seus "abastecimentos estão bloqueados", daí a urgência da situação.
"Apesar da nossa preocupação de que estes bloqueios administrativos façam parte de esforços mais amplos para minar, desacreditar e difamar a ação humanitária, continuamos a procurar o diálogo com as autoridades israelitas para reafirmar os princípios da ajuda humanitária independente e, em última instância, para continuar a nossa missão médica às centenas de milhares de palestinianos que não devem ser abandonados no seu momento de maior necessidade", conclui a MSF.
A decisão de partilhar a informação já foi saudada pelo Governo israelita. "O anúncio da MSF é um passo na direção certa", afirmou o ministro israelita dos Assuntos da Diáspora e da Luta contra o Antissemitismo, Amichai Chickli, em comunicado hoje divulgado, citado pela agência EFE.
"Temos pelo menos dois casos documentados de ativistas da MSF que estiveram diretamente envolvidos em terrorismo, nas organizações Hamas e Jihad Islâmica Palestina", acrescentou.
Em entrevista à rádio France Inter, este mês, a presidente da MSF, Isabelle Defourny, indicou que a autorização de Israel para a atuação desta organização expirou a 31 de dezembro de 2025.
Nesse dia, entrou em vigor a proibição israelita a 37 ONG internacionais que operam em Gaza e na Cisjordânia ocupada, cujos funcionários estrangeiros deverão abandonar o território palestiniano até 01 de março, prazo estipulado pelo Governo israelita para a conclusão do encerramento das suas atividades.
Sobre as acusações israelitas de alegadas ligações entre funcionários da MSF e o Hamas e a Jihad Islâmica, a presidente afirmou que "nunca" empregariam "pessoas ligadas a grupos armados" e que os controlos aplicados para o evitar são "muito rigorosos".
Defourny apontou que existem atualmente "cerca de quarenta" membros da sua equipa internacional em Gaza, além de 800 funcionários palestinianos que prestam auxílio à população, incluindo em oito hospitais.
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