Mãe de criança detida pelo ICE recorda momento: "Estava aterrorizada"

  • 31/01/2026

A mãe do menino de cinco anos que foi detido com o pai pelo Serviço de Imigração e Alfândega (ICE, na sigla inglesa), na semana passada, no estado norte-americano do Minnesota, deu conta de que assistiu a tudo pela janela de casa, "sem poder fazer nada", já que temia também ser detida. Erika Ramos assegurou ainda que, à semelhança do marido, não tem cadastro, e que ambos entraram nos Estados Unidos de forma legal, em 2024.

 

Liam Conejo Ramos e o pai, Adrián Alexander Conejo Arias, regressavam a casa, vindos da escola do menino, quando foram confrontados por agentes do ICE, no dia 20 de janeiro.

"Estou aqui para contar a verdadeira versão dos factos. Às 14h20, […] ao estacionar o carro em frente à casa, agentes do ICE aproximaram-se e detiveram o meu marido. Detiveram-no e algemaram-no", contou a mulher, na quinta-feira, ao Noticias Telemundo.

Erika Ramos recordou que "Liam continuava dentro do carro, a chorar, enquanto prendiam o pai". Ela, por seu turno, assistiu à cena "da janela, sem poder fazer nada, com medo" de também ser detida.

"O Adrián pedia-me repetidamente para não sair. Tinha medo de que também me detivessem. [...] Os agentes deram conta da minha presença. Tiraram o Liam do nosso carro. Levaram-no até à porta da minha casa para que eu abrisse. Bateram à porta e o meu filho Liam dizia-me: ‘Mamã, abre a porta.’ Eu estava aterrorizada. O meu marido gritava-me, ‘não abras a porta’, e eu não o fiz por medo de também ser detida e de deixar o meu outro filho sozinho. Como não abri a porta, levaram o Liam para o carro do ICE", disse, em lágrimas.

A mãe do menino apontou que, na sua ótica, "parecia uma tentativa deliberada" para provocá-la, "como se quisessem que saísse desesperada atrás do [seu] filho para [a] deter".

"Noutras palavras, usaram o meu filho como isco. Mesmo assim, o meu marido insistia desesperadamente para que eu não saísse, especialmente porque temos outro filho e estou grávida. A sua única intenção era proteger-nos como um pai e marido responsável", disse.

E acrescentou: "Nas notícias foram ditas muitas coisas que não são verdade, incluindo declarações do vice-presidente dos Estados Unidos [JD Vance], que disse que o meu marido é um criminoso que fugiu, deixando o nosso filho desprotegido. Essa versão é completamente falsa; eu estava lá. Adrián é um pai trabalhador e empenhado em manter a sua família unida. Em nenhum momento resistiu à detenção. A única coisa que lhe importava era a nossa segurança."

A mulher adiantou, inclusive, que o casal entrou nos Estados Unidos legalmente, em 2024, ao abrigo do programa CBP One, da administração do presidente Joe Biden. No entanto, este regime foi desmantelado pelo atual governo.

Erika Ramos disse ainda ter comunicado com o marido, que a informou de que Liam "tem febre, dores de estômago e diarreia", mas não estava a receber cuidados médicos.

Note-se que a superintendente das Escolas Públicas de Columbia Heights, Zena Stenvik, revelou que a família tem um pedido de asilo pendente e não foi notificada para deixar os Estados Unidos.

Governo tem outra versão: "O pai e a suposta mãe abandonaram a criança"

A porta-voz do Departamento de Segurança Interna (DHS, na sigla inglesa), Tricia McLaughlin, negou que a agência tenha "usado uma criança como isco" e acusou os pais do menino de o terem abandonado.

"Os agentes do ICE foram as únicas pessoas que se preocuparam com o bem-estar desta criança. O pai e a suposta mãe abandonaram a criança", escreveu, na rede social X (Twitter), a 23 de janeiro.

A responsável detalhou que o ICE levou a cabo uma operação "para deter Adrián Alexander Conejo Arias, um estrangeiro ilegal do Equador que foi LIBERTADO nos EUA pelo governo Biden". 

"Quando os agentes se aproximaram, Adrián Alexander Conejo Arias fugiu a pé, abandonando o seu filho. Para a segurança da criança, um dos nossos agentes do ICE permaneceu com ela, enquanto os outros agentes prendiam Conejo Arias. Os nossos agentes fizeram várias tentativas para que a suposta mãe, que estava dentro da casa, assumisse a custódia do filho. Os agentes até garantiram que ela NÃO seria detida. A suposta mãe recusou-se. [...] O pai disse aos agentes que queria que a criança ficasse com ele", disse.

McLaughlin indicou também que "os agentes respeitaram o desejo do pai de ficar com a criança e até lhe compraram McDonald's e tocaram a sua música favorita".

Quanto às preocupações sobre o estado de saúde de Liam, a porta-voz avançou, na sexta-feira, que "um pediatra examinou-o e não encontrou nenhum problema médico".

"É política interna fornecer cuidados médicos a partir do momento em que um estrangeiro entra sob custódia do ICE. Isso inclui exames médicos, dentários e de saúde mental dentro de 12 horas após a chegada a cada centro de detenção, uma avaliação completa da saúde dentro de 14 dias após a entrada sob custódia do ICE ou chegada a um centro, e acesso a consultas médicas necessárias e atendimento de emergência 24 horas por dia. Estes são os melhores cuidados de saúde que muitas destas pessoas receberam em toda a sua vida", complementou, ao mesmo tempo que disse que "os estrangeiros ilegais recebem três refeições por dia, certificadas por nutricionistas, incluindo considerações pediátricas".

Saliente-se que, na terça-feira, um juiz federal emitiu uma ordem de restrição temporária, que impedia o governo Trump de expulsar Liam do país. Já este sábado, a CNN Internacional noticiou que um juiz federal ordenou a libertação do menino e do pai, que se encontram no Centro Residencial Familiar do Sul do Texas, em Dilley. Liam e Adrián terão de sair em liberdade até à próxima terça-feira, de acordo com o San Antonio Express-News.

Leia Também: ICE fez de criança um "isco", mas agora pode nem precisar de mandado

FONTE: https://www.noticiasaominuto.com/mundo/2930199/mae-de-crianca-detida-pelo-ice-recorda-momento-estava-aterrorizada#utm_source=rss-mundo&utm_medium=rss&utm_campaign=rssfeed


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