Macacos partilham da capacidade humana de imaginar

  • 05/02/2026

Numa série de experiências que replicaram a brincadeira das crianças quando tomam chá com as bonecas, os investigadores observaram como um bonobo, também conhecido como chimpanzé-pigmeu, "de modo consistente e firme", interagiu com copos de sumo e uvas imaginários, "pondo em causa suposições antigas sobre as capacidades dos animais".

 

Um comunicado sobre o estudo divulgado pela universidade refere que "as descobertas sugerem que a capacidade de compreender objetos imaginários está dentro do potencial cognitivo de, pelo menos, um macaco aculturado e provavelmente remonta a entre seis e nove milhões de anos, aos antepassados comuns" de humanos e símios.

"É realmente revolucionário pensar que as suas vidas mentais vão além do aqui e agora", diz o coautor do trabalho Christopher Krupenye, professor assistente no Departamento de Ciências Psicológicas e do Cérebro da Johns Hopkins.

"A imaginação é vista há muito tempo como um elemento crucial do que significa ser humano, mas a ideia de que pode não ser exclusiva da nossa espécie é realmente transformadora", acrescenta, citado no comunicado.

Kupenye considera que tal como a descoberta da primatologista e etóloga Jane Goodall de que os chimpanzés fabricam ferramentas levou a uma mudança na definição do que significa ser humano, este estudo também "convida a reconsiderar" o que torna os seres humanos especiais e que tipo de vida mental têm outras criaturas.

Até agora não existiam estudos controlados sobre os jogos de "faz de conta" de animais não humanos, apesar de vários relatos sobre macacos aparentemente envolvidos em comportamentos do tipo, na natureza e em cativeiro.

Foram observadas na natureza jovens chimpanzés fêmeas a transportarem e a brincarem com paus segurando-os do mesmo modo que as mães seguram as crias. Em cativeiro, um chimpanzé foi visto a, pelo que pareceu, arrastar blocos imaginários pelo chão depois de brincar com verdadeiros blocos de madeira.

O estudo sobre a capacidade de fingir dos macacos num ambiente controlado teve como coautora Amalia Bastos (de nacionalidade portuguesa e brasileira), ex-bolseira de pós-doutoramento da Johns Hopkins e atualmente professora na Universidade de St. Andrews, na Escócia.

O bonobo Kanzi, de 43 anos, que vivia no centro de investigação norte-americano Ape Initiative participou nas experiências e conseguia responder a comandos verbais apontando e havia relatos de comportamentos de "faz de conta".

Sentado frente a frente com um investigador numa mesa com jarras e copos vazios ou taças e frascos transparentes, Kanzi foi questionado sobre a localização de um sumo imaginário, depois de ter visto a pessoa inclinar a jarra para "despejar" um pouco desse líquido em dois copos e em seguida "deitar fora" o conteúdo de um deles, apontando na maioria das vezes para o que ainda continha o sumo falso, mesmo quando se mudava a sua posição.

Para perceber se Kanzi pensava que havia sumo verdadeiro no copo, mesmo que não o conseguisse ver, a equipa realizou uma segunda experiência, colocando um copo de sumo verdadeiro ao lado do copo de sumo falso. Quando perguntaram a Kanzi o que queria, ele apontava para o sumo verdadeiro quase sempre.

Uma terceira experiência repetiu o mesmo conceito, mas com uvas. A pessoa fingia tirar uma uva de um recipiente vazio e colocá-la num dos dois frascos. Quando se perguntou ao bonobo onde estava a uva ele indicou novamente a localização do objeto imaginário.

"Kanzi nunca foi perfeito, mas acertava consistentemente".

"É extremamente impressionante e muito entusiasmante que os dados pareçam sugerir que os macacos, nas suas mentes, podem conceber coisas que não estão lá", disse Bastos, citada no comunicado.

"O Kanzi é capaz de gerar uma ideia desse objeto imaginário e, ao mesmo tempo, saber que não é real."

Estas descobertas podem levar à realização de outros estudos sobre a capacidade de outros macacos e outros animais participarem em brincadeiras de "faz de conta" ou "rastrear objetos imaginários".

A equipa também espera explorar outras facetas da imaginação nos macacos, talvez a sua capacidade de pensar sobre o futuro ou sobre o que se passa na mente dos outros.

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FONTE: https://www.noticiasaominuto.com/mundo/2933879/macacos-partilham-da-capacidade-humana-de-imaginar#utm_source=rss-mundo&utm_medium=rss&utm_campaign=rssfeed


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