Lula pede reforço do multilateralismo a primeiro-ministro russo
- 06/02/2026
O encontro realizou-se após o encerramento da VIII Reunião da Comissão de Alto Nível Brasil-Rússia, que reforçou o diálogo bilateral com vista ao aprofundamento da cooperação em áreas-chave para ambos os países.
Mishustin copresidiu a comissão, criada em 1997, juntamente com o vice-presidente brasileiro, Geraldo Alckmin.
Durante a reunião com Lula da Silva, tanto Mishustin como Alckmin informaram o chefe de Estado brasileiro sobre os progressos alcançados nas conversações realizadas esta quinta-feira, especialmente em setores como a educação, a saúde, a agricultura, a energia, a defesa e o setor aeroespacial.
O Presidente brasileiro e o primeiro-ministro russo concordaram que o comércio bilateral ainda não reflete a dimensão nem o potencial de ambas as economias.
Mais cedo, o vice-Presidente do Brasil, Geraldo Alckmin, defendeu, ao lado do primeiro-ministro russo, Mikhail Mishustin, que os dois países devem aumentar o comércio e os investimentos bilaterais.
No Palácio do Itamaraty, em Brasília, na abertura da 8.ª reunião da Comissão Brasileiro-Russa de Alto Nível de Cooperação, Geraldo Alckmin disse que o Governo brasileiro quer a "ampliação e diversificação do comércio bilateral, o estímulo a investimentos produtivos e a cooperação e promoção de parcerias capazes de gerar crescimento sustentável e de benefício mútuo" para as duas economias.
Defendendo igualmente um maior intercâmbio da cultura e educação entre os dois países, o também ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços sublinhou que vê "com grande interesse a ampliação de investimentos russos no Brasil, especialmente em setores como química, fertilizantes, energia, equipamentos industriais e infraestrutura".
Da mesma forma, reforçou, há espaço para maior presença de empresas brasileiras no mercado russo, "em áreas como alimentos processados, máquinas, equipamentos, dispositivos médicos, tecnologia agrícola e soluções industriais".
O ministro recordou que o comércio bilateral entre dois dos fundadores dos BRICS alcançou cerca de 11 mil milhões de dólares (9,33 mil milhões de euros) em 2025, que considerou "um número expressivo, mas modesto diante das capacidades produtivas, tecnológicas e logísticas de Brasil e Rússia".
Falando logo de seguida, com tradução para português do Brasil, o primeiro-ministro russo, Mikhail Mishustin, recordou que os dois países são "base da fundação dos BRICS" (grupo dos países com economias emergentes, que começou com Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul e entretanto alargado) e que defendem um "mundo multipolar mais justo".
Mishustin recordou que o Brasil lidera as exportações de carne e café para a Rússia, enquanto o seu país fornece principalmente fertilizantes, um intercâmbio que, segundo afirmou, contribui para a segurança alimentar.
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