Líder da oposição do Uganda escapa de detenção durante contagem eleitoral
- 17/01/2026
"Gostaria de confirmar que consegui escapar. Atualmente, não estou em casa, embora a minha mulher e outros membros da minha família continuem em prisão domiciliária", afirmou Bobi Wine, na plataforma X.
"Sei que esses criminosos estão à minha procura e estou a fazer tudo o que posso para garantir a minha segurança", acrescentou o dirigente político, que foi detido pelas autoridades após as eleições de quinta-feira.
Muitos observadores criticam a votação organizada na quinta-feira, considerando-a uma formalidade para o presidente cessante Yoweri Museveni, um ex-guerrilheiro de 81 anos há 40 no poder e que procura um sétimo mandato consecutivo, apoiando-se no controlo total do aparelho eleitoral e de segurança.
Os observadores internacionais consideram que as intimidações e sequestros "minaram a confiança" nas eleições ugandesas e colocam em causa a seriedade do processo.
"As informações que dão conta de intimidações, detenções e raptos de líderes da oposição, candidatos, apoiantes, meios de comunicação social e atores da sociedade civil pelas forças de segurança semearam o medo e minaram a confiança do público no processo eleitoral", declarou à imprensa Goodluck Jonathan, representante dos observadores africanos presentes.
Bobi Wine, de 43 anos, é um cantor popular no Uganda que se apresenta como o "presidente do gueto", em referência aos bairros desfavorecidos de Kampala onde cresceu.
Após a contagem de 93,6% das urnas, o presidente cessante tinha uma vantagem confortável com 71,88% dos votos, contra 24,46% para Bobi Wine, de acordo com os últimos números da comissão eleitoral.
Informações contraditórias circularam na sexta-feira e no sábado sobre o destino de Bobi Wine, após revelações de que a polícia e o exército realizaram uma operação em sua casa na noite de sexta-feira.
Um alto funcionário de seu partido, a Plataforma de Unidade Nacional (NUP), disse à AFP que agentes de segurança vestidos de preto escalaram o muro da residência de Wine na noite de sexta-feira e lhe confiscaram o telefone.
A agência de notícias francesa AFP tentou aceder, sem sucesso, à residência do opositor na madrugada de hoje, porque a polícia colocou pontos de controlo em áreas consideradas sensíveis.
"Não proibimos necessariamente o acesso a (Bobi Wine), mas não podemos tolerar casos em que pessoas usam a sua residência para se reunir" e "incitar à violência", disse à imprensa o porta-voz da polícia, Kituuma Rusoke.
Bobi Wine, que se afirmou nos últimos anos como o principal rival de Museveni, já havia sido detido e torturado nas eleições anteriores em 2021.
Pelo menos 400 apoiantes de Bobi Wine foram detidos durante a sua campanha, segundo a ONG Amnistia Internacional.
O dia das eleições foi marcado por importantes problemas técnicos: as máquinas biométricas utilizadas para identificar os eleitores funcionaram mal, possivelmente devido ao corte da Internet, e os boletins de voto não foram distribuídos durante várias horas em muitas regiões.
O outro grande dirigente da oposição, Kizza Besigye, quatro vezes candidato contra Museveni, foi raptado em 2024 no Quénia e levado de volta para o Uganda, onde continua detido por acusações de traição.
O secretário-geral do maior partido da oposição, Lewis Rubongoya, disse à AFP que mais de 20 pessoas morreram no incidente e 50 ficaram feridas.
A polícia ugandesa, por sua vez, declarou que sete pessoas foram mortas na zona por "terem atacado" o centro local de contagem de votos e as forças de segurança.
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