Libertação de 406 detidos na Venezuela é decisão "unilateral"
- 15/01/2026
"Todas estas decisões foram tomadas unilateralmente, a Igreja Católica não tem nada a ver com isto, muito pelo contrário. Nenhuma ONG [organização não governamental] tem qualquer participação", afirmou Diosdado Cabello.
O ministro falava na quarta-feira, durante o programa televisivo que apresenta, "Con el Mazo Dando" ('Dando com o Martelo'), transmitido pela emissora estatal Venezolana de Televisión (VTV).
Cabello indicou que as libertações fazem parte de um plano executado de acordo com uma ordem dada pelo Presidente Nicolás Maduro, antes de ser capturado por forças norte-americanas durante os ataques de 03 de janeiro contra Caracas.
"Em dezembro, o Presidente Nicolás Maduro ordenou a revisão dos casos de pessoas que foram detidas por incitarem à violência, por atacarem o povo venezuelano", explicou o ministro.
Cabello salientou que, "somando os dois grupos" de reclusos libertados, entre os anunciados em dezembro e os deste ano de janeiro, "mais de 400" foram libertados na Venezuela.
O ministro disse ainda que os casos "ainda estão em análise" e acrescentou que não se trata de uma "concessão generosa", mas sim de "uma oportunidade dada a estas pessoas" que, reiterou, "não são presos políticos".
"Não vamos concluir nada, vamos analisar cada caso e, quando possível, deixar que cada pessoa assuma a sua responsabilidade histórica", declarou Cabello.
Horas antes, a presidente interina da Venezuela, Delcy Rodríguez, afirmou que o país vive "uma nova era política", ao anunciar a libertação, até agora, de 406 presos políticos, na primeira declaração à imprensa desde que assumiu o poder.
Na terça-feira, os opositores María Corina Machado e Edmundo González Urrutia acusaram o Governo interino da Venezuela de não cumprir a anunciada libertação de presos políticos, sem a qual "não pode haver transição" no país.
A ONG venezuelana Foro Penal, que defende os presos políticos, confirmou a libertação de 84 pessoas desde 08 de janeiro até às 20:30 de quarta-feira (00:30 em Lisboa), incluindo 17 estrangeiros ou venezuelanos com dupla nacionalidade.
A ONG contabilizava até domingo pouco mais de 800 presos políticos, número que incluía 86 pessoas com nacionalidade estrangeira ou com dupla nacionalidade, entre os quais cinco lusovenezuelanos.
Delcy Rodríguez, advogada e política de 56 anos, foi vice-presidente de Maduro desde 2018, dirigindo o temido serviço secreto da Venezuela e a crucial indústria petrolífera do país, que detém as maiores reservas do mundo.
Apesar de a ter sancionado por violações dos direitos humanos durante o primeiro mandato (2017-2021), o Presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, disse que espera que Rodríguez o ajude a garantir o controlo dos EUA sobre o petróleo da Venezuela.
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