Leitura da sentença do político sul-africano Julius Malema adiada
- 23/01/2026
Julius Malema compareceu hoje ao tribunal de magistrados de East London para a leitura da sua sentença, que foi adiada pela magistrada Twanet Olivier para 15 de abril, sendo que se for necessário a leitura prolonga-se até 16 de abril.
Segundo Twanet, o local onde se vai realizar a leitura não será divulgado.
"Para que tenham conhecimento vou mencionar o tribunal regional quatro para que não haja um local especifico identificado e não haja mal entendidos. Obviamente, antes dessa data e no dia da audiência, todos saberão onde nos reuniremos e, se necessário, continuaremos no dia 16 de abril", salientou a magistrada.
Durante a audiência, Jessie Thompson, assistente social e advogada qualificada, ao testemunhar em defesa do líder do partido político Combatentes da Liberdade Económica (EFF, na sigla inglesa) "recomendou a imposição de uma multa que reflita a gravidade das infrações" e que "Malema fosse impedido de obter licença para porte de arma por um período determinado como medida dissuasora contínua, e que também fosse obrigado a fazer uma doação monetária como restituição à Gun Free South Africa, uma ONG focada na redução da violência armada na África do Sul", de acordo com um órgão de comunicação local.
Milhares de apoiantes do partido reuniram-se em frente ao tribunal para a sentença do seu líder, segurando cartazes e usando faixas vermelhas com a sigla do partido.
Em 01 de outubro, o político sul-africano foi considerado culpado de cinco acusações, entre elas o disparo de arma de fogo em área urbana ou pública sem justificação, posse ilegal de arma de fogo e de munição.
O partido de esquerda radical de Malema tinha, anteriormente, rejeitado a decisão do tribunal sul-africano, classificando-o como politicamente motivado e irracional, e afirmando que o caso foi impulsionado pela hostilidade contra a organização e não por provas.
A sentença reafirma o compromisso da Procuradoria Nacional (NPA, na sigla inglês) em defender o Estado de Direito e a correta administração da justiça, sem medo ou favorecimento.
"As provas demonstraram de forma esmagadora que Malema cometeu vários crimes graves ao abrigo da Lei de Controlo de Armas de Fogo, e o veredicto confirma que aqueles que se consideram intocáveis acabarão por ser responsabilizados, independentemente do tempo que isso leve", afirmou o porta-voz da AfriForum para a Segurança Comunitária, Jacques Broodryk.
Em 27 de agosto, Julius Malema foi considerado, pelo tribunal, culpado de incitamento ao ódio, ao dizer aos seus apoiantes, num comício ocorrido em 2022, que "nunca deveriam ter medo de matar".
Desde que o caso foi instaurado há quatro anos, a acusação apresentou provas e convocou 19 testemunhas para comprovar a alegação.
O processo penal começou quando Malema disparou para o ar enquanto estava em palco, durante um comício em 28 de julho de 2018, tendo sido apresentada pelo AfriForum, uma organização de direitos civis, uma queixa-crime contra o político.
A África do Sul tem leis rigorosas em relação ao controlo de armas, sendo que um delito deste género prevê uma pena máxima de 15 anos de prisão.
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