Kallas afirma que Médio Oriente "não precisa de nova guerra"
- 29/01/2026
Em conferência de imprensa no final da reunião dos ministros dos Negócios Estrangeiros dos 27 da União Europeia (UE) em Bruxelas, Kaja Kallas foi questionada se o facto de o bloco europeu ter hoje designado a Guarda Revolucionária do Irão, o exército ideológico da República Islâmica, como uma organização terrorista significa que apoiaria uma potencial intervenção militar dos Estados Unidos no país.
"No que se refere a ataques, acho que a região não precisa de qualquer guerra", avisou, salientando que a designação da Guarda Revolucionária como organização terrorista significa que passou a ser "criminalizada qualquer atividade ou interação" com aquela organização.
Na mesma conferência de imprensa, a Alta Representante da UE para os Negócios Estrangeiros e Política de Segurança referiu ainda que, na segunda-feira, discutiu com os ministros europeus a potencial adesão de Estados-membros ao Conselho de Paz, impulsionado pelo Presidente norte-americano, Donald Trump, inicialmente no âmbito do plano de paz para o enclave palestiniano da Faixa de Gaza, cenário de uma guerra entre Israel e o grupo extremista Hamas durante dois anos.
Kallas salientou que a UE apoiaria um Conselho de Paz que estivesse em conformidade com a resolução adotada pelo Conselho de Segurança das Nações Unidas que, segundo disse, estabelece que esse conselho deveria terminar em 2027 e que os palestinianos devem ter "um papel claro" nesse processo.
"Atualmente, a Carta do Conselho de Paz é muito mais vasta e não garante o tratamento igualitário entre Estados que é requerido constitucionalmente pela maioria dos países para poderem aderir", referiu.
A chefe da diplomacia frisou que a abordagem europeia tem sido a de tentar "restringir o papel do Conselho de Paz à Faixa de Gaza, como está previsto na resolução das Nações Unidas", mas ressalvou que a UE quer "verdadeiramente trabalhar para garantir que há uma paz sustentável em Gaza".
"Por isso, há uma vontade de trabalhar, mas, como somos todos democracias, também estamos condicionados pelas regras dessas democracias no que se refere, por exemplo, à adesão a organizações internacionais", referiu.
Por sua vez, o ministro dos Negócios Estrangeiros português, Paulo Rangel, em declarações aos jornalistas, reiterou que o Governo partilha a posição da UE, ou seja, está disponível para participar num Conselho de Paz "desde que vá cumprir aquilo que está na resolução do Conselho de Segurança das Nações Unidas".
"O que é que isso significa? Que é sob a égide das Nações Unidas, e não de outra organização internacional, que tem de ser resolvida esta questão", disse.
Rangel salientou que, na reunião de hoje, mesmo Estados-membros da UE que "têm sido muito expressivos nesta questão" referiram que é necessário encontrar uma "forma de dialogar com este Conselho de Paz, não entrando nele, porque ele está completamente fora do quadro da resolução do Conselho de Segurança".
"A nossa pedagogia, de muitos Estados e da UE (...) é de que se possa vir para um formato que cumpra a resolução, mas efetivamente é preciso perceber o que é que está a acontecer em Gaza", disse.
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