Justiça francesa mantém condenação de Marine Le Pen e impõe uso de tornozeleira, mas reduz período de inelegibilidade

  • 07/07/2026
(Foto: Reprodução)
Marine Le Pen concede entrevista à TV TF1, da França, após ser declarada inelegível, em 31 de março de 2025 Thomas Samson/Pool via Reuters A corte de apelações da França confirmou nesta terça-feira (7) a condenação de Marine Le Penn, principal nome da extrema-direita do país, por acusações de desvio de verba da União Europeia, mas abriu caminho para que ela concorra à eleição presidencial de 2027. ✅ Siga o canal de notícias internacionais do g1 no WhatsApp A pena foi determinada em três anos de prisão, dos quais dois foram suspensos e um será cumprido em regime aberto, com uso de tornozeleira eletrônica. A decisão também reduziu o período de inelegibilidade para 45 meses, sendo que 30 foram suspensos. Como Le Pen já cumpriu a maior parte dos 15 meses restantes desde a condenação - proferida em 2025 - ela poderá se candidatar às eleições presidenciais francesas marcadas para abril de 2027. Campanha com tornozeleira? Agora, cabe a Le Pen dizer se concorrerá ao cargo mesmo com o monitoramento eletrônico. Ela deve conceder uma entrevista na TV às 20h desta terça (17h no horário de Brasília), na qual poderá fazer um anúncio sobre seu futuro político. Ela já declarou repetidas vezes no passado que não se candidataria se tivesse que usar uma tornozeleira durante a campanha. “Se me permitirem ser candidata, mas eu for efetivamente impedida de fazer campanha livremente, então vocês compreendem que isso não seria possível”, disse Le Pen em uma entrevista na semana passada. Uma fonte judicial ouvida pela Reuters disse que a tornozeleira provavelmente complicaria uma campanha presidencial de âmbito nacional, já que ela precisaria voltar para casa todas as noites, mas provavelmente não a tornaria impossível. Le Pen também poderia pedir a remoção do dispositivo após alguns meses por bom comportamento, acrescentou a fonte. Agora no g1 Entenda a acusação Le Penn foi considerada culpada por desviar 1,4 milhão de euros do Parlamento Europeu destinados à contratação de assessores parlamentares. Segundo a acusação, entre 2004 e 2016, ela e outros integrantes de seu partido utilizaram dinheiro da União Europeia para pagar funcionários que, na prática, trabalhavam para a legenda na França, e não em atividades ligadas ao Parlamento Europeu. A sentença original foi criticada por aliados de Le Pen, que acusaram o Judiciário de interferir na disputa democrática. Já seus adversários defenderam que representantes eleitos devem responder à Justiça sob as mesmas regras aplicadas a qualquer outro cidadão. Divisão interna A decisão deve provocar um intenso debate dentro do partido de Le Pen, o Reagrupamento Nacional (RN), que há meses se prepara para dois cenários possíveis. Um deles é liderado por ela, e outro pelo presidente do partido, Jordan Bardella. Bardella tem dito que pretende para ser primeiro-ministro em um eventual governo de Le Pen, e não seu substituto. No entanto, caso ela decida não concorrer, ele poderá assumir a candidatura do partido. Pesquisas de intenção de voto mostram tanto Le Pen quanto Bardella entre os favoritos para chegar ao segundo turno da eleição presidencial. Alguns levantamentos recentes, inclusive, indicam que Bardella teria desempenho superior ao de Le Pen na primeira rodada da disputa. Leia também: Sufocada por calor extremo, Paris proíbe consumo de álcool

FONTE: https://g1.globo.com/mundo/noticia/2026/07/07/justica-francesa-condena-marine-le-pen-que-ficara-meses-inelegivel.ghtml


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