Jovem iraniano condenado à pena de morte libertado sob fiança

  • 02/02/2026

Erfan Soltani, o jovem de 26 anos condenado à pena de morte por participar em protestos contra o regime iraniano, foi libertado sob fiança. A informação foi avançada pela organização não-governamental (ONG) Hengaw e pela agência de notícias iraniana ISNA. 

 

"Erfan Soltani, que foi preso durante os recentes acontecimentos e que alguns meios de comunicação estrangeiros afirmaram anteriormente ter sido condenado à morte, foi libertado da prisão sob fiança de dois mil milhões de tomans [cerca de 1.500 euros]", indicou que a ISNA na rede social Telegram. 

Já a ONG de defesa dos direitos humanos Hengaw indicou que o jovem "foi libertado sob fiança no sábado, 31 de janeiro de 2026". 

A informação foi também confirmada por um familiar de Erfan Soltani à Sky News. 

Erfan Soltani foi detido na noite de 8 de janeiro, em sua casa, na cidade de Karaj, por envolvimento nos protestos contra o regime iraniano.  Dias depois, as autoridades informaram a sua família de que a execução estava marcada para 14 de janeiro, sem fornecer mais detalhes. A execução acabou por ser adiada.

Durante o processo, um familiar de Soltani disse à BBC que um tribunal emitiu uma sentença de morte "num processo extremamente rápido, em apenas dois dias". A sua irmã, que é advogada, tentou dar seguimento ao caso, mas as autoridades disseram que não havia nada a fazer, de acordo com Awyer Shekhi, da Hengaw.

"É apenas alguém que se opõe à situação atual no Irão... e agora recebeu uma sentença de morte por expressar a sua opinião", lamentou.

Na altura, o presidente norte-americano, Donald Trump, afirmou que foi informado "por fontes fidedignas" de que os planos de execuções de manifestantes no Irão foram interrompidos, apesar de o regime de Teerão sugerir o contrário. 

Este domingo, o líder supremo iraniano, o aiatola Ali Khamenei, considerou que os protestos antigovernamentais de janeiro, que causaram vários milhares de mortos, assemelharam-se a um "golpe de Estado".

Os manifestantes "atacaram a polícia, edifícios governamentais, quartéis da Guarda Revolucionária, bancos, mesquitas e queimaram o Alcorão (...) foi um verdadeiro golpe de Estado", criticou Khamenei, garantindo que a tentativa tinha "falhado".

A ONG Human Rights Activists News Agency (HRANA), com sede nos Estados Unidos, afirma ter confirmado 6.713 mortes, incluindo 137 crianças, e está a investigar mais de 17.000 mortes adicionais.

O Irão ocupa o segundo lugar no mundo em número de execuções, apenas atrás da China, segundo as ONG: em 2025, o país executou pelo menos 1.500 pessoas condenadas à morte, de acordo com a organização não-governamental (ONG) Iran Human Rights (IHR).

Doze pessoas foram executadas durante a última grande onda de protestos, entre 2022 e 2023, segundo esta ONG sediada na Noruega. Outras doze foram executadas por espionagem para Israel desde a guerra de junho entre os dois países inimigos.

Líder supremo do Irão compara recentes protestos a um

Líder supremo do Irão compara recentes protestos a um "golpe de Estado"

O líder supremo iraniano, o aiatola Ali Khamenei, considerou hoje que os protestos antigovernamentais em janeiro, que causaram vários milhares de mortos, assemelham-se a um "golpe de Estado".

Lusa | 15:21 - 01/02/2026

FONTE: https://www.noticiasaominuto.com/mundo/2930718/jovem-iraniano-condenado-a-pena-de-morte-libertado-sob-fianca#utm_source=rss-mundo&utm_medium=rss&utm_campaign=rssfeed


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