Irmandade Muçulmana rejeita classificação como terrorista pelos EUA
- 14/01/2026
"Esta designação é totalmente desprovida de realidade e de qualquer fundamento", afirmou a organização num comunicado, após os Estados Unidos designarem como organizações terroristas as suas fações no Egito, na Jordânia e no Líbano.
A decisão de Washington surge na sequência de uma ordem executiva assinada pelo Presidente norte-americano, Donald Trump, em novembro passado, que instruía o Governo a avançar com a classificação do movimento devido aos seus alegados laços com o movimento islamita Hamas.
"Os Estados Unidos utilizarão todos os recursos disponíveis para privar estas fações da Irmandade Muçulmana dos meios necessários para se envolverem ou apoiarem o terrorismo", afirmou o secretário de Estado norte-americano, Marco Rubio, num comunicado.
A designação implica o bloqueio de todos os bens e interesses das entidades e indivíduos visados que se encontrem sob jurisdição dos Estados Unidos.
A medida proíbe também cidadãos e empresas norte-americanas de manterem qualquer tipo de relação comercial ou financeira com os sancionados.
Em 24 de novembro, Donald Trump tinha assinado uma ordem executiva que instruía os secretários de Estado e o do Tesouro, Marco Rubio e Scott Bessent, respetivamente, a elaborarem um relatório sobre a eventual designação da Irmandade Muçulmana como organização terrorista.
A Irmandade Muçulmana, um movimento transnacional presente em vários países, foi durante décadas a principal força de oposição política no Egito, onde foi fundada em 1928, apesar de sucessivas vagas de repressão.
No Egito, a organização é considerada terrorista e foi marginalizada da vida política após a destituição do ex-presidente Mohamed Morsi, em 2013, membro da Irmandade e primeiro chefe de Estado eleito democraticamente no país.
Morsi esteve no poder apenas durante um ano, entre 2012 e 2013, tendo sido afastado por uma intervenção militar após protestos em massa contra o seu Governo.
O antigo presidente morreu em 2019 enquanto estava detido.
Desde então, as autoridades egípcias têm intensificado as medidas contra a Irmandade Muçulmana, acusando-a de envolvimento em atividades extremistas e de ameaçar a ordem constitucional.
As autoridades egípcias saudaram hoje a decisão norte-americana de designarem como organizações terroristas as fações da Irmandade Muçulmana no Egito, no Líbano e na Jordânia, classificando-a como um "passo decisivo" no combate ao extremismo.
Num comunicado, as autoridades egípcias consideraram que a medida norte-americana representa um reforço da luta internacional contra organizações que, segundo o Cairo, ameaçam a estabilidade e a segurança da região.
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