Irão. ONG eleva para pelo menos 3.428 mortos verificados nos protestos
- 14/01/2026
Em comunicado no seu site, a organização não-governamental (ONG), com sede em Oslo, indicou que a maioria das mortes (3.379) foi registada entre 08 e 12 de janeiro, segundo fontes consultadas do Ministério da Saúde e Educação Médica da República Islâmica, a que somam vários milhares de feridos.
"Este número representa um mínimo absoluto. Novos relatos e testemunhos recebidos pela IHRNGO ilustram ainda mais a dimensão da violência", advertiu a ONG, que, na terça-feira, tinha divulgado um balanço de 734 mortes desde o início dos protestos antigovernamentais, em 28 de dezembro.
A organização afirmou que recebeu "inúmeros relatos de pessoas feridas que foram 'eliminadas', com testemunhas a descreverem que isto ocorreu tanto nas ruas como em instalações médicas".
A IHRNGO alertou para "o risco de execuções em massa de manifestantes após julgamentos espetaculares", apelando mais uma vez à comunidade internacional para que atue de forma "a prevenir as atrocidades e a proteger o povo do Irão" da repressão das autoridades.
"Após o massacre de manifestantes nas ruas nos últimos dias, o poder judicial da República Islâmica está a ameaçar os manifestantes com execuções em grande escala. A comunidade internacional deve levar estas ameaças extremamente a sério", observou Mahmood Amiry-Moghaddam, diretor da IHRNGO, citado no comunicado.
A ONG assinalou também que acima de 10 mil pessoas foram detidas desde o início dos protestos, iniciados em Teerão e que se espalharam desde então por mais de 190 cidades em todas as 31 províncias do país.
Do total de 3.428 mortes hoje contabilizadas em 15 províncias, a IHRNGO destacou que estes são apenas os casos verificados diretamente pela organização ou através de duas fontes independentes e corroborados por documentação de hospitais e morgues.
"Fontes do Ministério da Saúde informaram a IHRNGO que, só entre 08 e 12 de janeiro, foram mortas cerca de 3.500 pessoas, incluindo manifestantes e membros das forças de segurança. Como os meios de comunicação estatais já tinham noticiado a morte de pelo menos 121 membros das forças militares, policiais, de segurança e judiciais, isto significa que pelo menos 3.379 manifestantes morreram neste período de cinco dias", referiu.
A organização observou ainda que os relatos apontam para que a maioria dos mortos tinha menos de 30 anos e que pelo menos 15 eram menores.
Os balanços de mortes nos protestos no Irão variam conforme as organizações, mas todos apontam para a ocorrência de uma repressão em grande escala.
A Agência de Notícias dos Ativistas pelos Direitos Humanos (HDRANA), sediada nos Estados Unidos, indicou hoje pelo menos 2.571 mortes, enquanto a Iran International, uma emissora multilingue por satélite com sede em Londres, apontou na terça-feira o número de 12 mil vítimas mortais, "com base nos dados disponíveis e na verificação de informações obtidas de fontes fidedignas, incluindo o Conselho Supremo de Segurança Nacional e o gabinete presidencial".
A estação televisiva norte-americana CBS noticiou na terça-feira, a partir de duas fontes iranianas, que o número pode chegar aos 20 mil.
Todas as organizações iranianas e internacionais destacam porém a dificuldade de alcançar a dimensão real da repressão dos protestos, face à ausência de números oficiais e ao bloqueio total da Internet no país desde a noite de quinta-feira.
A televisão estatal iraniana reconheceu pela primeira vez na terça-feira um elevado número de mortes, afirmando que foram registados "muitos mártires".
Um apresentador leu uma declaração que dizia que "grupos armados e terroristas" levaram o país "a entregar muitos mártires a Deus", embora sem detalhar qualquer número.
O Irão está a ser agitado por uma nova vaga de protestos desde 28 de dezembro, iniciada em Teerão por comerciantes e setores económicos afetados pelo colapso do rial, a moeda iraniana, e pela elevada inflação, alastrando-se depois a mais de 100 cidades do país.
As autoridades iranianas receberam inicialmente com compreensão os protestos, mas entretanto endureceram a sua posição e repressão contra os manifestantes, que passaram a ser tratados como terroristas associados aos Estados Unidos e Israel, a que se juntaram entretanto relatos de condenações à pena de morte e execuções extrajudiciais de manifestantes detidos.
O presidente norte-americano, Donald Trump, tem ameaçado repetidamente as autoridades iranianas com uma intervenção militar contra a República Islâmica e instou os manifestantes a prosseguirem os seus protestos.
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