Irão mobiliza dezenas de milhares de manifestantes pró-governo após protestos
- 12/01/2026
A emissora mostrou imagens de multidões a dirigir-se para a praça Enghelab, ou praça da Revolução Islâmica, no centro de Teerão, de acordo com a agência de notícias norte-americana The Associated Press (AP).
A televisão estatal descreveu a manifestação como um "levantamento iraniano contra o terrorismo sionista-norte-americano", sem abordar a indignação no país devido à economia debilitada, que desencadeou os protestos há mais de duas semanas.
As imagens televisivas de concentrações em Teerão e noutras cidades do país tentaram sinalizar que o regime superou os protestos, conforme afirmou o ministro dos Negócios Estrangeiros iraniano, Abbas Araghchi, no início do dia.
Os protestos contra o regime que tem como líder supremo o 'ayatollah' Ali Khamenei causaram mais de 540 mortos, segundo a Human Rights Activists News Agency (HRANA), uma organização não-governamental com sede nos Estados Unidos.
O Presidente norte-americano, Donald Trump, disse no domingo que o Irão pretendia negociar com Washington após ter ameaçado atacar a República Islâmica devido à repressão contra os manifestantes.
O Irão não reagiu de imediato aos comentários de Trump, que surgiram depois de o ministro dos Negócios Estrangeiros de Omã ter viajado para o Irão no fim de semana.
É incerto o que o Irão poderá oferecer em eventuais negociações, particularmente porque Trump estabeleceu exigências rigorosas sobre o programa nuclear e o arsenal de mísseis balísticos de Teerão.
Numa conversa com diplomatas estrangeiros em Teerão, Araghchi insistiu hoje que a situação estava "sob controlo total" e culpou Israel e os Estados Unidos pela violência, sem apresentar provas.
O ministro iraniano afirmou, no entanto, que o Irão estava "aberto à diplomacia", desde que as conversações não fossem "unilaterais e baseadas em imposições".
Segundo a HRANA, mais de 10.600 pessoas foram detidas durante as duas semanas de protestos.
Dos 544 mortos registados, 496 eram manifestantes e 48 pertenciam às forças de segurança, de acordo com a mesma fonte, citada pela AP.
A economia iraniana, asfixiada por sanções internacionais, viu a moeda colapsar, com um dólar a atingir mais de 1,4 milhões de riais iranianos.
Testemunhas relataram que o medo imperava em Teerão, com as ruas a ficarem desertas após o pôr-do-sol devido à repressão, segundo a AP.
A polícia e a Guarda Revolucionária enviaram mensagens de texto à população a alertar para a "decisão firme de não tolerar qualquer apaziguamento" e de lidar "decisivamente com os desordeiros".
As forças da ordem apelaram também aos pais para que mantenham os jovens em casa.
O atual regime na antiga Pérsia foi instaurado em 1979, com a revolução que depôs o xá Reza Pahlavi (1941-1979) e o regresso ao país do 'ayatollah' Ruhollah Khomeini, o líder xiita que estava exilado em França.
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