Irão. HRW denuncia escalada da repressão e pede intervenção da ONU
- 14/01/2026
A organização não governamental (ONG) destacou, em comunicado, que as restrições à Internet dificultaram "a verificação de assassinatos ilegais e outras violações dos direitos humanos cometidas durante a repressão dos protestos", que começaram em 28 de dezembro.
Philippe Bolopion, diretor executivo da HRW, acrescentou no comunicado que, apesar do bloqueio da Internet, "continuam a surgir relatos de assassinatos em larga escala de manifestantes e outras violações e crimes atrozes".
A organização apelou ainda à comunidade internacional para que pressione Teerão a respeitar os direitos humanos e a facilitar a investigação da ONU sobre os acontecimentos.
"O Conselho de Segurança da ONU e o Conselho de Direitos Humanos devem abordar urgentemente estas atrocidades e alertar os responsáveis de que a justiça um dia os alcançará", acrescentou.
Stéphane Dujarric, porta-voz do secretário-geral da ONU, António Guterres, destacou hoje em conferência de imprensa que "não existe um número verificado" por parte da organização sobre o número de pessoas mortas nos protestos no Irão, mas que "é evidente que um número inaceitável de civis morreu".
Dujarric observou que a ONU não tem atualmente uma presença dedicada aos direitos humanos no Irão, o que "dificulta a verificação direta dos factos", mas garantiu que o líder da ONU, o português António Guterres tem levantado repetidamente a questão dos direitos humanos no Irão em discussões com as autoridades iranianas.
A ONG Human Rights Iran (IHR) aumentou hoje para 734 mortes verificadas nos protestos antigovernamentais no Irão, mas admite que o número real pode atingir milhares, como já indicam outras estimativas entretanto divulgadas, e estimou que o número de detidos ultrapassou os 10.000.
Os meios de comunicação estatais iranianos têm divulgado alegados vídeos de confissão, transmitidos com música de fundo dramática intercalada com excertos que parecem mostrar manifestantes a atacar as forças de segurança ou propriedades, noticiou hoje a agência Associated Press (AP).
O Irão alega que estas confissões, que incluem frequentemente referências a Israel ou aos Estados Unidos, são prova de conspirações estrangeiras por detrás dos protestos em todo o país.
Os ativistas realçaram hoje que se trata de confissões forçadas, uma prática comum. Estes vídeos estão a ser divulgados a uma velocidade sem precedentes e os meios de comunicação estatais iranianos exibiram pelo menos 97 confissões de manifestantes, muitos expressando remorso pelas suas ações, desde o início dos protestos, segundo um grupo de direitos humanos que está a monitorizar os vídeos.
A Human Rights Activists News Agency, sediada nos EUA, afirma que, com base em testemunhos de ex-reclusos, as confissões ocorrem geralmente após tortura psicológica ou física --- e podem ter consequências graves, incluindo a pena de morte.
As autoridades iranianas descreveram os protestos como tumultos orquestrados pelos Estados Unidos e por Israel.
O Presidente norte-americano, Donald Trump, garantiu hoje que irá agir "com muita firmeza" caso as autoridades iranianas comecem a executar pessoas presas durante os protestos que abalam a República Islâmica.
O Ministério Público de Teerão adiantou que um número não especificado de manifestantes será julgado por "moharebeh" (guerra contra Deus, em persa), uma das acusações mais graves no Irão, que prevê a pena de morte, segundo um comunicado divulgado pela televisão estatal.
A IHR citou hoje o caso de Erfan Soltani, de 26 anos, detido na semana passada na cidade de Karaj, perto de Teerão, que, segundo a sua família, já foi condenado à morte e poderá ser executado já na quarta-feira.
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