Irão condena Nobel da Paz Narges Mohammadi a mais 7 anos e meio de prisão

  • 08/02/2026

Narges Mohammadi "foi condenada a seis anos de prisão pelas acusações de conspiração e conluio, um ano e meio por atividades de propaganda e, como pena complementar, uma proibição de viajar durante dois anos", anunciou hoje o seu advogado, Mostafa Nili, numa publicação na rede social X.

 

O advogado explicou que recebeu um telefonema da ativista hoje de manhã, a sua primeira comunicação em 59 dias de detenção, na qual o informou de que tinha sido levada para o Tribunal Revolucionário de Mashhad, no nordeste do país, onde foi proferida a sentença, três dias depois de ter sido transferida para um hospital devido ao seu estado de saúde precário.

De acordo com o advogado, a chamada de Mohammadi foi interrompida quando começou a relatar as circunstâncias da sua detenção.

Mostafa Nili, na sua mensagem, explicou que, após a sentença, a ativista deverá ser transferida para a prisão, segundo a lei iraniana, mas, na sua opinião, deveria ser libertada.

"Dadas as suas condições de saúde, espera-se que seja concedida a sua libertação temporária sob fiança para que possa receber tratamento médico", defendeu o advogado.

Mohammadi foi detida em dezembro, juntamente com outros ativistas, durante o funeral de um advogado na cidade de Mashhad, como indicou a sua família.

A laureada com o Prémio Nobel da Paz de 2023 estava em liberdade condicional desde dezembro de 2024, quando foi libertada devido a problemas de saúde.

No final de novembro, disse que as autoridades iranianas a tinham proibido "permanentemente" de sair do país, recusando-lhe um passaporte para que pudesse visitar os seus dois filhos, que não vê há 11 anos.

Narges Mohammadi foi presa 13 vezes, condenada nove vezes e a sua última detenção ocorreu em 2021.

Apesar das condenações e da prisão, a ativista dos direitos humanos e dos direitos das mulheres continuou a denunciar as violações dos direitos fundamentais no Irão, incluindo a aplicação da pena de morte e a violência contra as mulheres que não usam o véu islâmico.

No início da semana, a jornalista tinha iniciado uma greve da fome, reivindicando "o direito a fazer um telefonema", a "ter acesso aos advogados no Irão" e a receber visitas, disse na altura a advogada Chirinne Ardakani, a partir de Paris.

A última chamada telefónica com a família data de 14 de dezembro e esta foi informada da greve de fome por um prisioneiro recentemente libertado, precisou a jurista.

Em janeiro, Narges Mohammadi denunciou uma operação de pressão levada a cabo pelas autoridades de Teerão, na casa do seu irmão na cidade iraniana de Mashhad.

A agência de notícias Efe relatou na altura, citando fontes que não se quiseram identificar, que a detenção de Narges Mohammadi tem sido marcada por espancamentos e negação de assistência médica, o que, especialmente devido ao seu histórico de problemas cardíacos, colocou a sua vida em grave perigo.

Nesse mesmo contexto, um dos detidos recentemente libertados do Centro de Detenção de Inteligência de Mashhad descreveu o estado físico de Narges Mohammadi e de seu companheiro, Pouran Nazemi, como "alarmante".

O Comité Nobel Norueguês atribuiu a Mohammadi o prestigiado prémio em 2023 "pela sua luta contra a opressão das mulheres no Irão e pela promoção dos direitos humanos e da liberdade para todos".

Leia Também: Irão: "Ninguém tem o direito de nos dizer o que devemos fazer"

FONTE: https://www.noticiasaominuto.com/mundo/2935459/irao-condena-nobel-da-paz-narges-mohammadi-a-mais-7-anos-e-meio-de-prisao#utm_source=rss-mundo&utm_medium=rss&utm_campaign=rssfeed


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