Irão: Associação denuncia alegadas confissões de manifestantes na televisão
- 27/01/2026
A ONG Human Rights Activists News Agency (HRANA) considerou este número sem precedentes após a repressão violenta do recente movimento de protesto no país.
Nos vídeos, os detidos surgem com o rosto desfocado e a voz alterada, assumindo alegados crimes como ataques às forças de segurança, colaboração com potências estrangeiras ou apoio a opositores da República Islâmica.
Alguns são acusados apenas de seguir contas de redes sociais de críticos do regime ou de partilhar imagens dos protestos com meios de comunicação social proibidos.
Organizações de defesa dos direitos humanos consideraram que estas alegadas confissões são obtidas sob tortura física ou psicológica, prática que afirmam ser recorrente no sistema judicial iraniano.
A ONG Amnistia Internacional classificou estes vídeos como propaganda, afirmando que as autoridades forçam os detidos a assinar declarações que não podem ler e a confessar crimes que não cometeram, incluindo atos pacíficos de dissidência.
Também relatora especial da ONU para os direitos humanos no Irão, Mai Sato, disse que estas "falsas confissões" visam reforçar a narrativa oficial de que os manifestantes são criminosos perigosos.
O chefe do poder judicial iraniano, Gholamhossein Mohseni Ejei, participou pessoalmente em interrogatórios transmitidos pela televisão no início do mês.
Para Roya Boroumand, diretora do Centro Abdorrahman Boroumand para os Direitos Humanos no Irão, estas confissões cumprem funções de legitimação política, criação de uma narrativa estatal falsa e dissuasão da dissidência.
A mobilização popular teve início a 28 de dezembro e intensificou-se a partir de 08 de janeiro, antes de ser brutalmente reprimida, num contexto em que um bloqueio da Internet no país terá dificultado a divulgação de informações independentes.
A HRANA confirmou quase 6.000 mortos e está a investigar milhares de outros casos, contabilizando ainda pelo menos 41.283 detenções.
O Centro para os Direitos Humanos no Irão alertou que estas confissões são frequentemente usadas como única prova para condenações, incluindo em processos que podem resultar na pena de morte.
Boroumand indicou que esta prática procura também humilhar os opositores e lembrar ao público o custo elevado de desafiar o Estado.
O caso de um jovem de 18 anos, identificado como Shervin Bagherian, gerou ampla atenção nas redes sociais depois de surgir num vídeo a ser interrogado por alegado homicídio de um agente de segurança e informado de que podia enfrentar a pena capital.
Estas práticas não são inéditas no Irão, tendo sido usadas anteriormente contra opositores políticos e cidadãos estrangeiros.
O antigo líder da oposição Ruhollah Zam foi interrogado na televisão antes de ser executado em 2020, após ter sido raptado no Iraque, de acordo com apoiantes.
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