Interdita navegação na província moçambicana de Gaza
- 02/02/2026
"A Autoridade Reguladora de Transporte Marítimo [Itransmar], na província de Gaza (...) informa aos armadores, proprietários de embarcações e ao público em geral que se encontra interdita a navegação para o transporte de passageiros e carga no troço compreendido entre a zona alta da cidade de Xai-Xai e a ponte sobre o rio Limpopo", lê-se no comunicado.
A interdição deve-se à acentuada redução do caudal que deixou elevada concentração de detritos no leito do rio, que representa um risco elevado para a segurança da navegação, o que potencia a ocorrência de acidentes e danos às embarcações, referiu o Itransmar.
"Face a este cenário, o Itransmar recomenda aos utentes e operadores a utilização de meios alternativos de transporte rodoviário, através da rota Chongoene-- Chibuto -- Chissano, para assegurar a ligação entre os pontos afetados", refere-se no documento.
A ligação terrestre entre o sul e o norte de Moçambique foi restabelecida no domingo, através de uma estrada alternativa, após 15 dias de interrupção devido às cheias, anunciou a administração de estradas.
A ligação terrestre através da estrada Nacional 1 (N1) entre Maputo e Gaza tinha sido interrompida devidos a seis cortes no trecho que liga as duas províncias, cujas obras de intervenção provisória terminaram na sexta-feira, sendo que o trânsito mantém-se interrompido na zona da baixa da cidade de Xai-xai, onde as obras de reposição ainda decorrem.
O número de afetados pelas cheias de janeiro em Moçambique subiu na sexta-feira para 723.289, com 22 mortos, de acordo com dados provisórios do Instituto Nacional de Gestão e Redução do Risco de Desastres (INGD).
Desde 07 de janeiro, foram registados ainda 45 feridos e nove desaparecidos na sequência destas cheias, 3.541 casas parcialmente destruídas, 794 totalmente destruídas e 165.946 inundadas.
O registo do INGD aponta ainda para 451.571 hectares de área agrícola afetados, dos quais 275.765 dados como perdidos, atingindo a atividade de 332.863 agricultores, além da morte de 430.972 cabeças de gado, entre bovinos, caprinos e aves.
Prossegue o socorro de famílias sitiadas pelas cheias, sobretudo em Maputo e Gaza, sul de Moçambique, resultado das fortes chuvas durante vários dias.
A União Europeia, os Estados Unidos, Portugal, Angola, Espanha, Timor-Leste, Noruega e Japão, além de países vizinhos, já enviaram ajuda humanitária de emergência.
Desde o início da época das chuvas, em outubro, incluindo as cheias de janeiro, há registo de 146 mortos, além de 148 feridos e de 844.295 pessoas afetadas, segundo os dados do INGD.
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