Incêndio na Suíça. Porta de serviço do bar estava trancada por dentro
- 11/01/2026
O proprietário do bar Le Constellation, na Suíça, onde morreram 40 pessoas num incêndio, confessou às autoridades que uma porta de serviço do estabelecimento estava trancada por dentro nessa noite.
Jacques Moretti, que se encontra em prisão preventiva, revelou que só descobriu que a porta estava trancada ao chegar ao local depois do incêndio, sem, no entanto, conseguir explicar o porquê.
Ao chegar ao bar na madrugada do dia 1 de janeiro, Moretti disse ter arrombado a porta em questão, descobrindo vários corpos do outro lado, segundo a agência France-Presse (AFP).
As autoridades acreditam que o incêndio tenha sido iniciado por velas de foguete em garrafas de bebidas alcoólicas. As faíscas terão entrado em contacto com espuma de isolamento de som no teto do bar, dando assim início ao fogo.
Durante o interrogatório, Moretti admitiu ter sido ele próprio a instalar a espuma durante as renovações do estabelecimento em 2015, quando comprou o espaço com a mulher. Na altura, garante ter feito testes para se certificar que as faíscas dessas velas não eram fortes o suficiente para incendiar a espuma.
"Nós tínhamos sempre uma vela de foguete quando servíamos uma garrafa de vinho na sala de jantar", afirmou a sua mulher e co-proprietária do Le Constellation. Jessica Moretti foi libertada na sexta-feira.
Jacques foi ainda questionado sobre a presença de menores no bar, sendo que a maior parte das vítimas mortais registada eram adolescentes.
Moretti garantiu que a entrada a menores de 16 era completamente proibida e que entre os 16 e 18 só poderiam frequentar o estabelecimento quando acompanhados por um adulto responsável.
Perante os factos, contudo, admitiu que "é possível que tenha havido um lapso no protocolo", apesar de ter dado estas "instruções" aos seguranças do Le Constellation.
O incêndio, recorde-se, deflagrou pelas 1h30 locais (00h30 em Lisboa) de quinta-feira, dia 1 de janeiro, seguindo-se uma explosão, no bar-discoteca La Constellation, na estância de Crans-Montana. Segundo explicou a procuradora de Valais, "o fogo alastrou-se e, à medida que se intensificava, causou uma explosão generalizada".
No dia anterior ao acidente, o município de Crans-Montana teria proibido o uso de qualquer tipo de fogos de artifício, incluindo velas de foguete, alertando para um risco de incêndio "extremamente elevado", devido a condições de seca na região.
Para além disto, o bar também já não seria alvo de inspeções desde 2020, apesar de as mesmas serem obrigatórias anualmente. Aliás, segundo Moreti, o Le Constellation terá sido inspecionado apenas "três vezes em dez anos".
Jacques e Jessica Moretti são suspeitos de homicídio por negligência, lesões corporais por negligência e incêndio criminoso também por negligência.















