Igualdade e balanço essenciais para natalidade em Macau

  • 16/01/2026

"O equilíbrio entre a vida profissional e pessoal é um fator chave para impulsionar a taxa de fertilidade", afirmou à Lusa Lok Cheng, académica da Universidade Politécnica de Macau que estuda políticas públicas.

 

A investigação de Lok, que compara as políticas parentais de Macau com as de países como Alemanha, Suécia e Estados Unidos, apoia esta conclusão.

Macau registou a taxa de natalidade mais baixa do mundo em 2024 e o número mais reduzido de nascimentos em quase 50 anos em 2025, disse, no início do ano, o diretor substituto do hospital público de Macau, Tai Wa Hou, citado pelo canal em chinês da emissora pública TDM Macau.

Este declínio persistiu apesar de um orçamento revisto aprovado no ano passado para reforçar apoios sociais, incluindo subsídios para pais com crianças até três anos, aumentos dos abonos de natalidade e subsídios de casamento.

Macau oferece atualmente 70 dias de licença de maternidade e apenas cinco dias de licença de paternidade para trabalhadores do setor privado (no público são 90 dias para as mães e cinco para os pais), lembrou a especialista: "Menos do que os 98 dias recomendados pela Organização Internacional do Trabalho", referiu.

Esta disparidade, argumentou Lok, reforça a ideia de que as mulheres têm a principal responsabilidade pelos recém-nascidos, o que também tem impacto na carreira profissional.

"Aceitámos tacitamente que as mulheres têm uma responsabilidade maior no cuidado dos recém-nascidos, e isso reflete-se no local de trabalho", continuou.

Em contraste, a especialista, que também é funcionária pública, aponta para políticas europeias. "A Suécia tem uma política parental bem estabelecida e registou um aumento na taxa de natalidade no início dos anos 2000", disse. "Tanto a Alemanha como a Suécia proporcionam licenças de maternidade mais longas e estão a promover ativamente a participação do pai", reforçou.

Lok explicou que a Suécia oferece mais de 300 dias de licença parental partilhada, sendo 90 dias reservados exclusivamente para o pai.

"Macau atualmente não tem regulamentação relevante quanto ao pai", observou a académica, sugerindo que a região poderia aprender com este modelo para implementar uma licença parental igualitária e "promover a igualdade de género no local de trabalho".

Tal política, disse, ajudaria as famílias a partilhar o cuidado das crianças e "eliminaria o preconceito de género que coloca as mulheres como as principais cuidadoras".

"Este preconceito é prejudicial para o desenvolvimento profissional das mulheres", avaliou.

De acordo com os últimos dados oficiais da Base de Dados das Mulheres de Macau, o salário médio mensal da população feminina em 2024 era de 16.800 patacas (1.798 euros), inferior aos 19.300 patacas (2.066 euros) auferidas pelos homens.

Lok explicou que muitas mulheres hesitam em ter filhos, receando o aumento dos deveres familiares e a estagnação das carreiras. Mas quando o cuidado das crianças é partilhado, "isso pode aumentar a vontade de ter filhos e reduzir os custos associados".

Tal mudança também beneficiaria as mulheres profissionalmente, acrescentou. Se os deveres parentais forem distribuídos de forma mais igualitária, "as empresas estariam menos preocupadas com o género ao contratar mulheres em idade fértil, e as mulheres poderiam prosseguir carreiras em pé de igualdade".

Lok reconheceu que pode ser um desafio para Macau adotar um sistema como o da Suécia, mas é necessário "avançar gradualmente".

"O primeiro passo é aumentar a licença de maternidade para 98 dias, de acordo com o padrão internacional", concluiu.

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FONTE: https://www.noticiasaominuto.com/mundo/2920735/igualdade-e-balanco-essenciais-para-natalidade-em-macau#utm_source=rss-mundo&utm_medium=rss&utm_campaign=rssfeed


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