Idoso usado para pedir esmola e burlas online em Espanha. Há 19 detidos
- 18/01/2026
Uma rede criminosa dedicada a burlas online, que atuava mediante a publicação de anúncios falsos de venda e de adoção de animais de estimação, foi desmantelada pela Guardia Civil, em Espanha. No total, 19 pessoas foram detidas – 18 em Biscaia e uma em Burgos –, sendo que três delas isolaram um octogenário da sua família e forçaram-no a mendigar.
As autoridades deram conta de que, até ao momento, foram identificadas 121 vítimas de fraude e dez de roubo de identidade, nas províncias de Tenerife, Las Palmas, Madrid, Barcelona, Valência, Málaga, Cádiz, Alicante, Almería, Ilhas Baleares, Gipuzkoa, Lleida, Tarragona, Saragoça, Albacete, Múrcia, León, Badajoz, Ávila, Lugo, Granada, Ourense, Córdoba, Cáceres, Castellón, La Rioja, Álava, Burgos, Jaén, Girona, Toledo e A Coruña.
A operação "Magna-Vallis" arrancou na sequência de uma denúncia recebida em fevereiro do ano passado, “na qual uma pessoa alegava ter sido enganada, após pagar 280 euros pela suposta adoção de um cão anunciado num portal da Internet, sem receber o animal, nem conseguir recuperar o dinheiro”.
“Como resultado das investigações realizadas, verificou-se que se tratava de um grupo criminoso sediado em Biscaia, que publicava anúncios de venda ou adoção de animais. Uma vez estabelecido o contacto e iniciada a venda, os burlões exigiam às suas vítimas pagamentos progressivos com diversos pretextos, - vacinas, transporte, chip, gaiola, etc. - , através de pagamentos via Bizum [serviço que permite enviar dinheiro instantaneamente entre contas bancárias com o número de telemóvel] ou transferências bancárias”, detalhou a Guardia Civil, num comunicado emitido no sábado.
#OperacionesGC | Liberado un octogenario que estaba siendo utilizado por un grupo criminal para ejercer la mendicidad y estafar a través de #internet.
— Guardia Civil (@guardiacivil) January 17, 2026
▶️ Había sido aislado de su entorno familiar y le habían abierto numerosas cuentas bancarias para cometer #estafas mediante… pic.twitter.com/ML6OJ8D7be
A rede criminosa fazia, para o efeito, uso de “várias linhas telefónicas e contas bancárias, bem como documentos de identidade falsos ou de terceiros, para enganar os compradores”, além de recorrer ao “método ‘Smurfing’, que consiste em fraccionar os pagamentos e branquear o dinheiro através de micropagamentos”.
A polícia detetou 57 contas bancárias e 23 linhas telefónicas ligadas à organização, estimando que o montante associado às fraudes ascenda a mais de 36 mil euros. As autoridades apontaram ainda que os suspeitos alocaram parte do dinheiro das burlas, assim como uma fração dos benefícios sociais recebidos, já que a maioria não trabalhava e recebia ajudas regionais, ao investimento em criptomoedas, num valor de mais de 55 mil euros. Estima-se, assim, que as prestações sociais recebidas indevidamente possam superar os 560 mil euros.
A investigação prossegue, por forma localizar mais vítimas, identificar novas contas associadas aos crimes e tentar recuperar os fundos defraudados.















