"Horrores vividos em Al-Fashir" podem repetir-se no Cordofão do Sul

  • 02/02/2026

"Após os horrores vividos em Al-Fashir, não podemos permitir que outra catástrofe civil ocorra diante dos nossos olhos", referiu Egeland.

 

Em comunicado, o NRC denunciou o bloqueio humanitário "quase total" que a região sofre após um ano de fome e bombardeamentos, num contexto de "intensos combates" que transformaram o Cordofão do Sul no "epicentro da guerra" travada entre o Exército do Sudão e os paramilitares das Forças de Apoio Rápido (RSF, na sigla em inglês) desde abril de 2023.

O secretário-geral do NRC assegurou que, durante a sua última visita ao estado, constatou que "o relógio continua a contar para novas atrocidades generalizadas", enquanto o mundo volta a falhar aos civis do Sudão.

Denunciou, ainda, que a fome e os ataques indiscriminados contra a população civil estão a obrigar "milhares de pessoas" a fugir para as montanhas de Nuba, "uma região isolada e empobrecida há muito tempo" dentro do Cordofão do Sul, ou para estados próximos como Al-Qadarif ou Nilo Branco, no sudeste do país.

"As viagens duram dias ou semanas e são marcadas pela fome, roubos, intimidação e abusos", de acordo com o comunicado do NRC.

A organização afirmou que os grupos de ajuda no Sudão "são poucos, estão sobrecarregados e carecem de fundos", o que leva essas famílias deslocadas a acabarem em "abrigos sobrelotados", onde têm de dormir no chão e sem quase nenhum artigo de primeira necessidade.

Entre todos os afetados, as crianças são um dos grupos mais vulneráveis e precisam urgentemente de "apoio psicossocial, educação e ajuda económica", segundo o NRC.

Egeland criticou a escassa presença de agências internacionais e as restrições de acesso ao território sudanês, que impedem a entrega de ajuda humanitária.

"As equipas de resposta locais estão a aguentar sob pressão extrema", lembrou, as organizações sudanesas gerem refeitórios comunitários, retiram famílias e entregam ajuda "sob fogo inimigo", segundo Egeland "estão a fazer tudo o que podem", mas é preciso "ajudar mais".

A organização afirma que "o povo do Cordofão não se rendeu" e que ainda é possível agir se as partes em conflito desbloquearem o acesso à ajuda e a comunidade internacional assumir um "compromisso efetivo" para travar a violência e aumentar o financiamento às equipas de resposta.

Para o secretário-geral do NRC, este "é um momento crítico": "A história julgar-nos-á se abandonarmos novamente os civis no Sudão para que enfrentem violência e privações sem fim".

No passado dia 26 de outubro, a entrada das RSF na cidade de Al-Fashir, capital do estado de Darfur do Norte, resultou na morte de centenas de pessoas, dezenas de milhares de deslocados e desaparecidos, além de uma longa lista de crimes de guerra denunciados por organizações de direitos humanos e pelo próprio Governo sudanês, controlado pela junta militar que governa o país.

Desde 15 de abril de 2023, o Sudão está mergulhado numa guerra devastadora entre o exército e as RSF, que provocou a maior crise humanitária do mundo, com cerca de 34 milhões de pessoas a necessitarem de ajuda, das quais 17 milhões são crianças.

No auge dos combates, cerca de 14 milhões de pessoas foram forçadas a fugir, tanto no interior do país como para o estrangeiro.

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FONTE: https://www.noticiasaominuto.com/mundo/2930869/horrores-vividos-em-al-fashir-podem-repetir-se-no-cordofao-do-sul#utm_source=rss-mundo&utm_medium=rss&utm_campaign=rssfeed


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