Hong Kong rejeita resolução da UE a condenar processo de Jimmy Lai

  • 26/01/2026

Num comunicado, o parlamento da região, conhecido como Legco, sublinhou que "todos os membros" condenam a resolução europeia, "que difamou maliciosamente a lei de segurança nacional de Hong Kong e o poder judicial".

 

Em dezembro, Jimmy Lai foi considerado culpado de conspiração para conluio com forças estrangeiras e conspiração para publicar artigos sediciosos, ao abrigo da lei de segurança nacional imposta por Pequim, que pode acarretar a prisão perpétua.

Em 12 de janeiro, um tribunal iniciou as chamadas audiências de atenuação, que se prolongaram por quatro dias e onde os arguidos, incluindo Lai, podem pedir penas mais leves. A sentença final será proferida numa data ainda por anunciar.

O parlamento de Hong Kong garantiu que a decisão dos três juízes designados pelo Governo - um dos quais a lusodescendente Susana D'Almada Remedios - é "livre de qualquer interferência e de quaisquer considerações políticas".

O Legco disse ainda que o Parlamento Europeu "interferiu flagrantemente nos assuntos internos da China e violou gravemente os princípios do direito internacional".

Na quinta-feira, os eurodeputados disseram que Lai "é um exemplo de como as leis de segurança do Estado estão a ser utilizadas para eliminar os meios de comunicação independentes, a liberdade de expressão e a oposição política em Hong Kong".

"Qualquer sugestão de que certos indivíduos devem ser imunes às consequências legais pelos seus atos ilegais equivale a defender um privilégio especial para infringir a lei", respondeu o Legco.

A resolução do Parlamento Europeu instou o Conselho Europeu a adotar sanções contra o líder do Governo de Hong Kong, John Lee Ka-chiu, "e todos os dirigentes responsáveis pela repressão das liberdades".

No documento, aprovado por 503 votos a favor, nove contra e 100 abstenções, os eurodeputados solicitaram ainda à Comissão Europeia que inicie o processo de suspensão do estatuto de Hong Kong na Organização Mundial do Comércio.

Além disso, o Parlamento Europeu apelou a todos os Estados-membros da União Europeia (UE) que suspendam os tratados de extradição com a China continental e com a região administrativa especial de Hong Kong.

Portugal e a República Checa são os únicos dois países da UE que ainda têm acordos de extradição em vigor com Hong Kong.

Em dezembro de 2022, a Assembleia da República chumbou, pela terceira vez em três anos, uma recomendação proposta pela Iniciativa Liberal para que o Governo português suspendesse os acordos de extradição com a China e Hong Kong.

Em julho de 2023, o ativista exilado Finn Lau Cho-dik, alvo de um mandado de detenção por parte da polícia de Hong Kong, disse à Lusa que Portugal deveria suspender o acordo de extradição com o território.

A região vizinha de Macau assinou em 2019 com Portugal um acordo relativo à entrega de infratores em fuga, cuja legalidade penal foi posta em causa pela Ordem dos Advogados portuguesa. O protocolo não está em vigor, uma vez que não foi a votos no parlamento.

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Um tribunal de Hong Kong iniciou hoje uma audiência para discutir a sentença de Jimmy Lai, ativista pró-democracia e ex-magnata dos media, cuja condenação ao abrigo da lei de segurança nacional pode acarretar a prisão perpétua.

Lusa | 06:10 - 12/01/2026

FONTE: https://www.noticiasaominuto.com/mundo/2926174/hong-kong-rejeita-resolucao-da-ue-a-condenar-processo-de-jimmy-lai#utm_source=rss-mundo&utm_medium=rss&utm_campaign=rssfeed


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