Homem que matou ex e namorado foi o 1.º a ser executado este ano nos EUA
- 29/01/2026
Charles Victor Thompson, de 55 anos, condenado à pena de morte por matar duas pessoas em 1998, morreu na quarta-feira, tornando-se a primeira pessoa a ser executada, este ano, nos Estados Unidos.
Thompson foi condenado a esta pena em abril de 1999, cerca de um ano após matar a ex-namorada, Glenda Dennise Hayslip, de 39 anos, e o novo namorado dela, Darren Keith Cain, de 30 anos, no apartamento da mulher, nos subúrbios de Houston, no Texas.
Segundo a agência de notícias The Associated Press (AP), o homem foi declarado morto às 18h50 de quarta-feira (00h50 de quinta-feira, em Lisboa) após receber uma injeção letal na penitenciária estadual de Huntsville.
Na altura da condenação, a acusação afirmou que Thompson e Hayslip tiveram um relacionamento amoroso durante um ano, mas acabaram por se separar quando o homem "se tornou cada vez mais possessivo, ciumento e abusivo".
Os crimes ocorreram na madrugada de 29 de abril de 1998. Pelas 3h00 desse dia, Thompson deslocou-se ao apartamento da ex-namorada e envolveu-se numa discussão com Cain. A polícia foi chamada ao local e mandou Thompson sair do complexo de apartamentos. O homem voltou três horas depois e disparou contra Hayslip, que teve morte imediata, e Cain, que viria a morrer no hospital uma semana depois.
Na segunda-feira, o Conselho de Indultos e Liberdade Condicional do Texas negou o pedido de Thompson para comutar a sua pena de morte para uma pena menor. Os seus advogados alegaram que o homem não teve oportunidade de refutar ou contestar as provas da acusação que concluíram que Hayslip morreu devido a um ferimento de bala no rosto.
Segundo a acusação, a mulher morreu devido a graves danos cerebrais causados pela privação de oxigénio após uma intubação mal sucedida. No entanto, a justiça rejeitou a alegação, defendendo que a morte "não teria ocorrido se não fosse pela conduta" de Thompson.
A família de Hayslip ainda moveu uma ação judicial contra um dos médicos, alegando que a negligência médica a deixou em morte cerebral. No entanto, em 2002, um júri decidiu a favor do médico.
Thompson voltou a ser julgado e, em novembro de 2005, foi novamente condenado à pena de morte por injeção letal.
Pouco tempo após a nova condenação, o homem fugiu da prisão do condado de Harris, em Houston, saindo pela porta da frente. Em entrevista à AP, explicou que, após uma reunião com o seu advogado, tirou as algemas e o macacão da prisão e saiu da sala, que estava destrancada. Depois, mostrou um crachá feito com o seu cartão de identificação da prisão para passar por vários agentes.
"Pude sentir o cheiro das árvores, sentir o vento nos meus cabelos, a relva sob os meus pés, ver as estrelas à noite. Isso levou-me de volta à infância, quando ficava ao ar livre nas noites de verão", disse Thompson à AP, em 2005.
O fugitivo acabou por ser preso dias depois, em Shreveport, Louisiana, enquanto tentava fazer transferências bancárias do exterior para poder chegar ao Canadá.















