Homem ilibado 70 anos após ter sido executado por violação e homicídio

  • 24/01/2026

Um homem negro do Texas, nos Estados Unidos, foi considerado inocente cerca de 70 anos após ter sido executado pelos crimes de violação e homicídio. A decisão foi tomada na quarta-feira, após os procuradores terem concluído que a condenação se baseou em provas falsas e preconceito racial.

 

Segundo a agência de notícias The Associated Press (AP), Tommy Lee Walker foi executado numa cadeira elétrica em maio de 1956 pela violação e morte de Venice Parker, uma mulher branca de 31 anos, em Dallas. 

Na altura, há quase 70 anos, a acusação alegou que Walker, de 19 anos, atacou Parker, uma funcionária de uma loja que estava a regressar a casa, na noite de 30 de setembro de 1953.

A mulher, mãe de um filho pequeno, foi violada e esfaqueada até à morte enquanto esperava numa paragem de autocarro, contou o Innocence Project, uma organização de defesa jurídica. 

O primeiro polícia a chegar ao local disse ter ouvido Parker a identificar o seu agressor como um homem negro antes de morrer, o que levou à detenção de centenas de homens negros sem provas. Meses depois, as autoridades alegaram ter recebido uma denúncia que identificava Walker como suspeito. 

Walker não tinha antecedentes criminais e declarou-se sempre inocente, dizendo às autoridades que, na altura do homicídio, estava a assistir ao nascimento do seu único filho, Edward Smith. Este álibi foi corroborado durante o seu julgamento, em 1954, por 10 testemunhas. 

No entanto, sem provas, a acusação baseou-se numa alegada confissão de Walker que, segundo o Tribunal de Comissários do Condado de Dallas, foi "obtida através do uso de táticas coercivas". 

"A única prova direta que liga Tommy Lee Walker a este crime é uma confissão obtida através do uso de táticas coercivas", referiu o tribunal em comunicado, citado pela ABC News.

Segundo o procurador do condado de Dallas, John Creuzot, Walker foi submetido a táticas de interrogatório ameaçadoras e coercivas por Will Fritz, um capitão da polícia de Dallas que tinha sido membro da Ku Klux Klan. Mais tarde afirmou que só confessou o homicídio porque temia pela sua vida.

Décadas depois, uma análise exaustiva da condenação feita, pela Procuradoria Criminal do Condado de Dallas, com a ajuda do Innocence Project de Nova Iorque e do Projeto de Direitos Civis e Justiça Restaurativa da Faculdade de Direito da Northeastern University, encontrou vários problemas no caso de Walker.

Uma das provas a ter em conta foram as declarações do agente da polícia de Dallas que alegou que Parker tinha identificado o agressor como um homem negro, uma vez que várias testemunhas negaram que a mulher fez "qualquer coisa além de convulsionar e sangrar quantidades exorbitantes de sangue" após o ataque.

"A acusação neste caso apresentou provas enganosas e inadmissíveis", disse Creuzot. "Este caso, embora tenha erros jurídicos inegáveis, foi repleto de injustiça racial numa época em que o preconceito e a intolerância estavam presentes em todos os aspetos da sociedade, incluindo o sistema de justiça criminal".

A declaração de inocência contou com a presença do filho de Walker, agora com 72 anos, e do filho da vítima, Joseph Park.

"Sinto muito pelo que aconteceu", disse Parker a Smith, citado pela ABC News.

"E sinto muito pela sua perda", respondeu Smith.

"Foi difícil crescer sem um pai", disse também Smith num comunicado divulgado pelo Innocence Project. "Quando andava na escola, as crianças falavam dos pais, e eu não tinha nada para dizer. Isso não o vai trazer de volta, mas agora o mundo sabe o que sempre soubemos: que ele era um homem inocente. E isso traz um pouco de paz".

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FONTE: https://www.noticiasaominuto.com/mundo/2925380/homem-ilibado-70-anos-apos-ter-sido-executado-por-violacao-e-homicidio#utm_source=rss-mundo&utm_medium=rss&utm_campaign=rssfeed


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