Holocausto: Guterres alerta para perigos de distorcer e negar o passado

  • 27/01/2026

Ao assinalar o Dia Internacional em Memória das Vítimas do Holocausto, António Guterres lembrou os seis milhões de judeus assassinados simplesmente por serem judeus, tal como ciganos (os povos Roma e Sinti), pessoas com deficiência, homossexuais e tantos outros que foram escravizados, perseguidos, torturados e mortos.

 

"A recordação é mais do que honrar o passado. É um dever e uma promessa (...). O Holocausto, afinal, não é apenas história. É um aviso. Um aviso de que o ódio, uma vez desencadeado, pode consumir tudo", disse, na Assembleia-geral da ONU, em Nova Iorque, perante uma audiência que incluía sobreviventes do Holocausto e familiares.

"Hoje, este aviso parece mais urgente do que nunca. O antissemitismo está a alastrar pelo mundo. As comunidades judaicas vivem com medo. Sinagogas foram atacadas. Famílias devastadas. O ódio antissemita vil espalha-se pelo ciberespaço", alertou.

O antigo primeiro-ministro português lembrou e condenou, mais uma vez, o ataque do grupo islamita palestiniano Hamas a Israel em 07 de outubro de 2022, juntamente com a tomada de reféns e os atos de ódio contra os judeus em todo o mundo nos últimos anos.

Na décima e última vez que assinalou este Dia Internacional enquanto secretário-geral, Guterres sublinhou que o Holocausto é uma demonstração clara dos perigos do ódio desenfreado e sublinhou que esse período sombrio da história não começou com assassínios, mas sim com palavras.

Os arquitetos do Holocausto deixaram claras as intenções malignas e disseminaram deliberadamente uma ideologia de ódio e supremacia que se aproveitava do medo e do desespero económico, salientou.

Tudo isto através de uma poderosa máquina de ódio alimentada pelo desmantelamento sistemático das instituições democráticas, pela censura à imprensa, pela perseguição à sociedade civil, pela corrupção dos tribunais e pela erosão do Estado de Direito, afirmou Guterres.

"E nunca devemos esquecer a dolorosa verdade de que as famílias judias que procuraram refúgio foram recebidas com indiferença, fronteiras fechadas e barreiras burocráticas", disse.

"Este capítulo sombrio da nossa história comum revela verdades alarmantes. Quando aqueles que detêm o poder se omitem, o mal fica impune. Quando o passado é distorcido, negado e usado como arma, o ódio e o preconceito proliferam", declarou.

António Guterres, que termina o segundo e último mandato como chefe da ONU no final deste ano, lembrou ainda que, há pouco mais de 80 anos, começaram os julgamentos de Nuremberga contra os líderes da Alemanha nazi, representando o início de uma nova era no direito penal internacional.

Guterres pediu agora o mesmo nível de responsabilização contra os mais poderosos.

"Uma nova era em que os indivíduos, incluindo os mais poderosos, são responsabilizados. Hoje, mais do que nunca, precisamos de resgatar esse espírito", defendeu.

"Essas influências --- antissemitismo, racismo, ódio --- continuam bem presentes. O nosso dever é claro: Dizer a verdade. Educar as novas gerações. Confrontar o antissemitismo e todas as formas de ódio e discriminação. E defender a dignidade de todo o ser humano", sublinhou.

A sede das Nações Unidas assinala o Dia Internacional em Memória das Vítimas do Holocausto, com uma cerimónia no salão da Assembleia-geral, sob o tema "A Memória do Holocausto pela Dignidade e pelos Direitos Humanos".

 O evento conta com depoimentos de sobreviventes do Holocausto e discursos oficiais do secretário-geral, da presidente da Assembleia-Geral das Nações Unidas e dos representantes das Missões Permanentes de Israel e dos Estados Unidos na ONU.

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FONTE: https://www.noticiasaominuto.com/mundo/2927143/holocausto-guterres-alerta-para-perigos-de-distorcer-e-negar-o-passado#utm_source=rss-mundo&utm_medium=rss&utm_campaign=rssfeed


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