Hamas acusa Israel de continuar a restringir ajuda humanitária em Gaza
- 03/02/2026
Em comunicado, o movimento extremista palestiniano Hamas afirmou que "o inimigo sionista criminoso continua a restringir gravemente a entrada de ajuda na Faixa de Gaza, sem qualquer melhoria", considerando que a situação se mantém inalterada apesar do avanço do acordo, que entrou em vigor no passado dia 10 de outubro.
O porta-voz do movimento, Hazem Qasem, relatou que as condições humanitárias agravam-se com o mau tempo, sublinhando que milhares de deslocados vivem em tendas sem proteção adequada contra o frio e a chuva.
Segundo Qasem, a situação torna-se ainda mais grave com a limitação à entrada de combustível e gás no enclave, permitidos apenas "em quantidades mínimas", o que, no seu entender, constitui uma violação direta do cessar-fogo.
O Hamas acusou ainda Israel de divulgar números "enganadores" sobre a ajuda humanitária, afirmando que o número real de camiões que entram em Gaza é "praticamente menos de metade" do anunciado.
O movimento denunciou também alegados maus-tratos e abusos contra palestinianos que começaram a regressar a Gaza após a reabertura parcial da passagem de Rafah, na fronteira com o Egito.
De acordo com o Hamas, essas ações terão incluído intimidação, separação de mulheres, interrogatórios prolongados e ameaças, afetando sobretudo mulheres e crianças.
O grupo classificou tais práticas como "terrorismo organizado" e "punição coletiva", apelando às organizações internacionais de defesa dos direitos humanos para que documentem os alegados abusos e promovam ações judiciais contra os responsáveis.
O Hamas pediu ainda aos mediadores e aos países garantes do acordo de cessar-fogo que intervenham para pôr termo às restrições e para que a passagem de Rafah seja aberta "normalmente e sem limitações".
A reabertura parcial de Rafah ocorreu no âmbito de um programa-piloto que permite apenas a circulação limitada de pessoas, sem incluir a entrada de ajuda humanitária, segundo as autoridades.
Rafah é a única passagem de Gaza que não conduz a território israelita e é considerada crucial para o abastecimento da população palestiniana, que enfrenta uma grave crise humanitária após a ofensiva israelita no enclave.
Um acordo de cessar-fogo está em vigor desde 10 de outubro de 2025 entre Israel e o Hamas na Faixa de Gaza, colocando fim a dois anos de guerra no enclave, desencadeada pelo ataque de 07 de outubro de 2023 do grupo extremista no sul do território israelita, no qual cerca de 1.200 pessoas foram mortas e 251 sequestradas.
Em retaliação, Israel lançou uma operação militar em grande escala no enclave palestiniano, que provocou mais de 71 mil mortos, segundo as autoridades locais controladas pelo grupo islamita, um desastre humanitário, a destruição de quase todas as infraestruturas do território e a deslocação de centenas de milhares de pessoas
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