Haiti. Conselho presidencial dissolvido após tensão com primeiro-ministro

  • 08/02/2026

Em 23 de janeiro, a maioria dos membros do conselho de transição tinham votado a favor da demissão de Fils-Aimé, aprofundando a crise política no Haiti e contrariando os apelos dos EUA para manter a estabilidade na liderança do país.

 

O plano do conselho de destituir Fils-Aimé, por razões não divulgadas, parece ter sido descartado com a dissolução, numa cerimónia oficial, no sábado.

"Precisamos de pôr de lado os nossos interesses pessoais e continuar a avançar em prol da segurança", disse o presidente cessante do conselho, Laurent Saint-Cyr, que tinha votado contra a destituição do primeiro-ministro.

O mandato do conselho terminou no sábado, prazo definido em 2024 com base no objetivo de organizar eleições gerais, mas não era claro se tal aconteceria, alimentando receios de protestos e de nova instabilidade política.

O conselho, não eleito, estava no poder desde abril de 2024, após a demissão do então primeiro-ministro Ariel Henry, na sequência de uma vaga de ataques sem precedentes dos gangues que levaram ao encerramento do principal aeroporto internacional e à paralisação de infraestruturas estratégicas.

O órgão foi criado com o apoio de líderes caribenhos para restaurar alguma estabilidade política após o assassinato do último Presidente eleito do país, Jovenel Moise, em julho de 2021, e teve como missão principal nomear um primeiro-ministro e preparar eleições.

Alix Didier Fils-Aimé, empresário e ex-presidente da Câmara de Comércio e Indústria do Haiti, é o terceiro chefe de Governo escolhido pelo conselho, tendo sido nomeado em novembro de 2025, após a demissão de Garry Conille.

Depois da dissolução, Fils-Aimé disse que "o conselho presidencial cumpriu o seu papel ao preparar o caminho para uma governação atenta às questões de segurança e eleitorais".

O primeiro-ministro prometeu restabelecer a segurança, realizar eleições e desenvolver um plano humanitário de emergência para fornecer alimentos, cuidados e abrigo aos mais vulneráveis.

"O sofrimento da população exige uma ação imediata", disse Fils-Aimé, que estava acompanhado por polícias e militares, sublinhando que os haitianos precisam de se unir.

O chefe de Governo prometeu ainda tornar o Haiti um lugar mais seguro.

Mais de 8.100 homicídios foram registados no Haiti entre janeiro e novembro do ano passado, número que a ONU considera subestimado devido à dificuldade de acesso às zonas dominadas por grupos armados.

"Os gangues e os seus apoiantes serão caçados, um a um. Todas as áreas ocupadas serão retomadas, até ao dia em que cada criança for à escola sem medo", afirmou Fils-Aimé.

O primeiro-ministro apoiado pelos EUA reconheceu que o Haiti chegou ao que chamou de perigosa encruzilhada. "Os próximos dias serão exigentes", disse. "Não prometo milagres", acrescentou.

Dias depois do conselho presidencial ter votado a favor da destituição de Fils-Aimé, o Governo norte-americano anunciou a revogação dos vistos de quatro membros não identificados do conselho e de um ministro.

No início da semana, os EUA enviaram um navio de guerra e duas embarcações da Guarda Costeira norte-americana para as águas próximas da capital haitiana, onde gangues controlam 90% de Porto Príncipe.

A Polícia Nacional do Haiti tem tentado conter a violência com o apoio de uma missão multinacional liderada pela polícia do Quénia e apoiada pela ONU, ainda com meios e financiamento insuficientes.

Leia Também: EUA: Juíza trava fim da proteção temporária a migrantes haitianos

FONTE: https://www.noticiasaominuto.com/mundo/2935270/haiti-conselho-presidencial-dissolvido-apos-tensao-com-primeiro-ministro#utm_source=rss-mundo&utm_medium=rss&utm_campaign=rssfeed


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