Guterres considera "horríveis" números de mortes no Irão
- 14/01/2026
Em conferência de imprensa, o porta-voz de António Guterres afirmou que a ONU está "profundamente preocupada" com a situação no Irão depois de ter tido acesso a imagens de manifestantes mortos e da violência durante os protestos antigovernamentais iniciados em 28 de dezembro em Teerão.
"Pedimos novamente as autoridades iranianas a permitirem que as pessoas protestem pacificamente e a protegerem este direito", disse Stéphane Dujarric.
O porta-voz do secretário-geral assinalou que a ONU não tem atualmente uma equipa de direitos humanos no Irão e que os funcionários no terreno estão sobretudo envolvidos em trabalhos humanitários e de desenvolvimento, o que dificulta quaisquer confirmações sobre os acontecimentos recentes.
"Não temos números próprios para partilhar, mas todos os números que temos visto, que variam entre 2.000 e 12.000 mortos, são horríveis", lamentou o porta-voz de Guterres, que deixou uma condenação veemente às ameaças de aplicação de penas de morte contra os manifestantes detidos.
Dujarric confirmou que a ONU está a tentar agendar contactos com as autoridades iranianas "o mais rapidamente possível".
O porta-voz acrescentou que as Nações Unidas têm uma equipa de 46 elementos internacionais e mais de 400 funcionários locais na República Islâmica.
O Irão está a ser agitado por uma nova vaga de protestos desde 28 de dezembro, iniciada na capital por comerciantes e setores económicos afetados pelo colapso do rial, a moeda iraniana, e pela elevada inflação, alastrando-se depois a mais de 100 cidades do país.
As autoridades iranianas receberam inicialmente com compreensão os protestos, mas entretanto endureceram a sua posição e repressão contra os manifestantes, que passaram a ser tratados como terroristas associados aos Estados Unidos e Israel, a que se juntaram entretanto relatos de condenações à pena de morte e de execuções extrajudiciais de manifestantes detidos.
A Iran Human Rights (IHRNGO) elevou para 3.428 mortes registadas nos protestos, alertando serem casos que conseguiu verificar e que o número real deverá ser superior.
Em comunicado no 'website', a organização não-governamental (ONG), com sede em Oslo, indicou que a maioria das mortes (3.379) foi registada entre 08 e 12 de janeiro, segundo fontes consultadas do Ministério da Saúde e Educação Médica da República Islâmica, a que se somam vários milhares de feridos e pelo menos 10 mil detidos.
"Este número representa um mínimo absoluto. Novos relatos e testemunhos recebidos pela IHRNGO ilustram ainda mais a dimensão da violência", advertiu a ONG.
Os balanços de mortes nos protestos no Irão variam conforme as organizações, mas todos apontam para uma repressão em grande escala.
A Agência de Notícias dos Ativistas pelos Direitos Humanos (HDRANA), sediada nos Estados Unidos, indicou pelo menos 2.571 mortes, enquanto a Iran International, uma emissora multilingue por satélite com sede em Londres, apontou na terça-feira o número de 12 mil vítimas mortais, "com base nos dados disponíveis e na verificação de informações obtidas de fontes fidedignas, incluindo o Conselho Supremo de Segurança Nacional e o gabinete presidencial".
A estação televisiva norte-americana CBS noticiou na terça-feira, a partir de duas fontes iranianas, que o número pode chegar aos 20 mil.
Todas as organizações iranianas e internacionais destacaram a dificuldade de alcançar a dimensão real da repressão dos protestos, face à ausência de números oficiais e ao bloqueio total da Internet no país desde a noite de quinta-feira.
A televisão estatal iraniana reconheceu pela primeira vez na terça-feira um elevado número de mortes, afirmando que foram registados "muitos mártires", embora sem detalhar qualquer número.
O presidente norte-americano, Donald Trump, tem ameaçado repetidamente as autoridades iranianas com uma intervenção militar contra a República Islâmica e instou os manifestantes a prosseguirem os seus protestos.















