Guterres alerta que 10 milhões de pessoas precisam de ajuda no Sudão do Sul
- 08/02/2026
O conflito armado intensificou-se desde o final de 2025 em várias regiões do país africano, provocando deslocações em massa e interrupções no acesso humanitário e nos serviços de saúde.
"Os combates, ataques e pilhagens a instalações humanitárias e de saúde, juntamente com as restrições de circulação e a insegurança nas principais rotas de abastecimento, estão a paralisar as operações humanitárias e a interromper serviços essenciais, colocando civis, incluindo trabalhadores humanitários, em grave risco", disse o representante da ONU através do seu porta-voz, Farhan Haq.
António Guterres lamentou os últimos episódios de violência no estado de Jonglei, onde a organização não-governamental (ONG) "Save the Children" denunciou na sexta-feira o saque e incêndio de um dos seus escritórios, bem como a destruição de um centro de saúde.
O caso eleva para onze o número total de instalações de saúde atacadas desde dezembro de 2025, segundo dados da ONU.
"Este claro desrespeito pelas operações médicas e humanitárias é inaceitável e deve cessar. Tal trabalho deve ser facilitado e respeitado", declarou o representante da ONU, antes de reiterar o apelo "a todas as partes" para que cessem imediata e decisivamente todas as operações militares e "reduzam as tensões através do diálogo".
O conflito no Sudão do Sul recomeçou em fevereiro de 2025, quando a milícia Exército Branco lançou uma ofensiva contra o Exército na cidade de Nasir, no estado do Alto Nilo - perto da fronteira com a Etiópia - e capturou temporariamente a cidade.
Na sequencia do ataque as autoridades colocaram o líder do partido da oposição SPLM-IO, Riek Machar, em prisão domiciliária, o que foi considerado pelo partido uma violação do acordo de paz de 2018.
Os conflitos escalaram para outras localidades do país.
A crise no país começou em 2024, depois de o presidente, Salva Kiir, ter promulgado uma emenda à Constituição, de 2011, para prolongar o período de transição por mais dois anos, uma medida criticada pela comunidade internacional, que pediu a implementação do acordo de paz de 2018, uma vez que alguns dos compromissos ainda não foram cumpridos, incluindo a realização de eleições.
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