Guiné-Bissau. PAIGC acusa grupo contestatário de querer assaltar partido
- 04/02/2026
A direção do histórico partido da libertação da Guiné-Bissau reagiu nesta terça-feira, em comunicado, ao "grupo de reflexão de alguns dirigentes e militantes do PAIGC que defendeu, a 30 de janeiro, uma direção de transição, alegando que o presidente Simões Pereira não tem condições para continuar no cargo por se encontrar em prisão domiciliária.
No comunicado divulgado nos canais oficiais do PAIGC, a direção refere que o grupo é "sobejamente conhecido por tentar destabilizar, fragilizar e assaltar a direção do partido, como já aconteceu com outras formações políticas nacionais".
O comunicado refere "ações de ataques sistemáticos e incessantes ao partido por encomenda do regime instalado desde 2019" na Guiné-Bissau, numa referência ao ex-presidente Umaro Sissoco Embaló.
Acrescenta que "este grupo mantém esta postura de hostilidade apenas para servir de instrumento de manipulação do seu verdadeiro mandante e receber em troca nomeações ou promoções nos cargos públicos".
"Por isso, o referido grupo aparece sempre conformado calado ou mesmo satisfeito com a detenção ou espancamento de dirigentes e militantes" e "invasões às sedes do PAIGC", lê-se no comunicado.
A direção refere-se a este "grupo disfarçado de militantes e dirigentes" como estando "ao serviço de interesses alheios ao partido (...) fingindo ignorar as ondas de perseguição e de injustiça de que tem sido alvo, com a intenção de afastar o PAIGC do pleito eleitoral".
O referido grupo responsabilizou a direção do partido pela exclusão do processo eleitoral, pela primeira vez na história do PAIGC, quando a candidatura do presidente Simões Pereira e da coligação PAI-Terra Ranka, liderada pelo partido, foi rejeitada pelo Supremo Tribunal de Justiça, nas eleições gerais de novembro de 2025.
O PAIGC apoiou o candidato Fernando Dias, que reclamou vitória na primeira volta sobre o Presidente cessante Umaro Sissoco Embaló, que concorreu a um segundo mandato.
O processo eleitoral foi interrompido por um golpe militar a 26 de novembro de 2025, na véspera de serem divulgados os resultados eleitorais.
O Presidente cessante foi deposto e saiu do país, Fernando Dias refugiou-se na embaixada da Nigéria e Simões Pereira foi preso e libertado mais de dois meses depois, a 30 de janeiro, encontrando-se em prisão domiciliária.
O grupo de dirigentes e militantes defendeu, em conferência de imprensa, através do porta-voz Aladje Seco Sanó, uma direção de transição até ao congresso de novembro, por entender que o líder não tem condições para continuar à frente do partido.
No comunicado de reação, a direção argumenta que "os estatutos estão a ser plenamente observados para assegurar o funcionamento do partido, mesmo estando encerradas as suas sedes e expressamente proibidas as manifestações políticas pelo regime".
A direção considera "totalmente falsas as afirmações de Aladje Seco Sanó" de que "o partido se encontra totalmente inativo, a sua direção e vice-presidentes ausentes em acantonamento total".
"Estando o partido em funcionamento pleno de acordo com o contexto político-militar imposto ao país, não fazem sentido as alegadas preocupações do dito grupo", conclui.
Os militares tomaram o poder na Guiné-Bissau a 26 de novembro de 2025, nomearam o general Horta Inta-a Presidente da República de Transição e substituíram o parlamento por um Conselho Nacional de Transição.
O Alto Comando Militar alegou que pretendeu impedir uma guerra civil e anunciou que o período de transição durará 12 meses.
Entre as medidas já adotadas pelos militares consta a revisão da Constituição, conferindo mais poderes ao Presidente da República, e a convocação de novas eleições gerais, presidências e legislativas, para 6 de dezembro.
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