Grupo simula ser terrorista para saquear aldeia em Cabo Delgado
- 23/01/2026
Segundo a Polícia da República de Moçambique (PRM) em Cabo Delgado, o grupo de cinco indivíduos, agora detidos, terá invadido a aldeia munido de instrumentos cortantes e com os rostos cobertos, proferindo gritos de ordem usados por terroristas, o que provocou a fuga imediata dos residentes.
As autoridades moçambicanas disseram aos jornalistas que os supostos terroristas teriam simulado o ataque com o intuito de furtar bens das comunidades, tendo queimado uma residência e cortado um dedo a uma mulher que não se colocou em fuga.
"Estes invocaram hino usado pelos insurgentes e esta ação fez com que a população em pânico pudesse abandonar as suas residências e por meio disso estes introduziram em cerca de sete residências onde subtraíram diversos bens", disse a porta-voz da PRM na província de Cabo Delgado, Eugénia Nhamussua.
Entre os bens roubados, disse a polícia, destacam-se valores monetários, telemóveis e outros.
"Importa referenciar que estes, nesta incursão por eles desenvolvida, teriam ateado fogo a uma das residências de construção precária, residência esta que terá sido consumida na totalidade pelo fogo, e também quando se fizeram a uma das residências e tendo constatado que a proprietária não teria se feito abandonar da mesma, estes ameaçaram-na e cortaram um dos seus dedos", disse Eugénia Nhamussua.
Segundo as autoridades, um sexto elemento deste grupo está em fuga, estando em curso trabalho de investigação para neutralizá-lo. Na mesma operação, a polícia apreendeu duas motorizadas ligeiras supostamente usadas na prática de crimes em diversas comunidades.
A província de Cabo Delgado, rica em gás, é alvo de ataques extremistas há oito anos, com o primeiro ataque registado em 05 de outubro de 2017, no distrito de Mocímboa da Praia.
A organização de Localização de Conflitos Armados e Dados de Eventos (ACLED, na sigla em inglês) estima que a província moçambicana de Cabo Delgado registou 17 eventos violentos no último mês, desde dezembro, envolvendo extremistas do Estado Islâmico, que provocaram 13 mortos, elevando para 6.418 o total de óbitos desde 2017.
De acordo com o último relatório desta organização, dos 2.298 eventos violentos registados desde outubro de 2017, quando começou a insurgência armada em Cabo Delgado, 2.133 envolveram elementos associados ao Estado Islâmico Moçambique (EIM).
Estes ataques provocaram em oito anos e meio 6.418 mortos, refere-se no novo balanço, incluindo as 13 vítimas reportadas neste período de cerca de um mês.
Leia Também: Circulação de supostos terroristas cria pânico em Meluco














