Gronelandeses em Copenhaga preocupados mas firmes no vínculo à Dinamarca

  • 16/01/2026

"Crescemos juntos durante muitos anos. Acho que ainda vamos ficar ligados por muito tempo", disse à agência Lusa uma gronelandesa de 70 anos, Malena, sobre o que considera ser a dependência da Gronelândia face à Dinamarca.

 

Helta, de 62 anos, acrescenta: "Não há muitas pessoas na Gronelândia e a maioria não tem estudos. A administração gronelandesa está cheia de dinamarqueses e não existem gronelandeses suficientes para ocupar esses lugares. Por isso, a Gronelândia, de uma certa forma, ainda precisa da Dinamarca".

Ambas as mulheres estiveram num encontro que juntou na quinta-feira centenas de pessoas da sua comunidade na capital dinamarquesa, em que também esteve presente o primeiro-ministro gronelandês, Jens-Frederik Nielsen.

A população da ilha ronda as 56 mil pessoas, o que, para estas duas gronelandesas, torna difícil imaginar um futuro independente da Dinamarca.

"Precisamos de pessoas formadas para falar com outros líderes mundiais", diz Helta, referindo-se aos cerca de 14% de diplomados na Gronelândia, segundo estatísticas oficiais. Este é um número muito abaixo da média nórdica. Na Dinamarca, por exemplo, o valor eRA de 51,2% em 2024, segundo dados do Eurostat.

Malena e Helta são duas das dezenas de pessoas que se juntaram EM frente do Nordatlantens Brygge, um edifício no centro de Copenhaga dedicado às artes e cultura das regiões do Atlântico Norte: as ilhas Faroé, a Islândia e a Gronelândia.

É também a casa da Representação Gronelandesa em Copenhaga. 

A maioria são mulheres, muitas delas usando trajes tradicionais e jóias inuit, como brincos e colares de uma pedra branca existente na região, brincos de penas e bijuteria em contas de várias cores.

De bandeiras da Gronelândia em punho, vieram para a celebração de ano novo na Representação Gronelandesa, em clima de festa, apesar da atual situação da Gronelândia, ameaçada pelos Estados Unidos, cujo Presidente, Donald Trump, tem reiterado a intenção de tomar o território, considerado pelos norte-americanos como essencial para a sua segurança nacional.

Tal como os representantes políticos da Gronelândia têm afirmado categoricamente nos últimos dias, Helta e Malena rejeitam totalmente a ideia de uma Gronelândia americana. Quanto ao futuro da ilha, dizem que o vínculo à Dinamarca deve continuar.

Sobre como tem vivido as últimas semanas, Malena não esconde a tristeza: "Vejo o meu povo triste e preocupado e fico triste também, porque os compreendo. Mas sinto um grande orgulho nos nossos representantes políticos, que estão a fazer um trabalho incrível e, por causa deles, sinto-me mais segura".

"O mundo sabe como Trump está a tratar os gronelandeses e a Dinamarca, os líderes mundiais deveriam pará-lo imediatamente", defende Helta. Embora diga compreender a dificuldade do momento para os líderes mundiais, Helta não esconde a sua preocupação com o que considera ser um ataque aos direitos humanos dos gronelandeses pelo presidente americano.

A Representação Gronelandesa teve casa cheia. Centenas de pessoas, incluindo imprensa dinamarquesa e internacional, ouviram o discurso de Jens-Frederik Nielsen.

O primeiro-ministro da Gronelândia tem desde o início dito que o vínculo com a Dinamarca é para manter, pelo menos para já. O seu partido, o Demokraatit, de centro direita, defende uma independência gradual e apoiada numa maior autonomia económica da ilha face à Dinamarca.  

Sara e Hans, ambos de 31 anos, pertencem à mesma geração de Nielsen, eleito em 2025 com apenas 33 anos e, até hoje, o mais jovem primeiro-ministro da Gronelândia.

Os dois jovens gronelandeses falam de um clima de ansiedade e stress, tanto na Dinamarca, como na Gronelândia.  

"A minha visão é a de uma cooperação entre a Dinamarca e a Gronelândia", diz Sara sobre o futuro próximo da ilha. Tal como Nielsen, os dois jovens não imaginam, para já, uma Gronelândia independente, mas acreditam numa transição faseada, suportada por um aumento dos níveis de escolaridade da população.

 Ambos declaram orgulho da sua geração na cultura gronelandesa. "Amamos a nossa cultura e a nossa língua", diz Hans. Sobre o que gostariam de dizer ao mundo sobre a Gronelândia, Sara diz que o essencial é saber que os gronelandeses são "um povo pacífico e feliz".

Leia Também: Rutte reúne-se com MDN da Dinamarca e MNE da Gronelândia na NATO

FONTE: https://www.noticiasaominuto.com/mundo/2920658/gronelandeses-em-copenhaga-preocupados-mas-firmes-no-vinculo-a-dinamarca#utm_source=rss-mundo&utm_medium=rss&utm_campaign=rssfeed


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