Funeral de Saif al-Islam Khadafi junta milhares de pessoas na Líbia
- 07/02/2026
O caixão de Saif al-Islam percorreu a cidade de Bani Walid, cerca de 145 quilómetros a sudeste da capital, Tripoli, com muitos participantes a transportarem imagens do falecido e do seu pai, que governou o país durante mais de 40 anos antes de ser deposto num levantamento popular apoiado pela NATO em 2011.
A multidão agitava também bandeiras verdes lisas - a bandeira oficial da Líbia de 1977 a 2011, sob o regime de Khadafi, morto nesse ano na sua cidade natal, Sirte, enquanto os combates na Líbia se intensificavam, transformando-se numa guerra civil aberta.
Um pequeno grupo de apoiantes transportou o caixão de Saif al-Islam e, posteriormente, realizou as orações fúnebres e sepultou-o.
Saif al-Islam, de 53 anos, foi morto na terça-feira dentro da sua casa na cidade de Zintan, a cerca de 135 quilómetros a sudoeste da capital, Tripoli, segundo os procuradores.
As autoridades disseram que uma investigação inicial concluiu que foi morto a tiro, mas não forneceram mais detalhes.
A equipa política de Saif al-Islam divulgou posteriormente um comunicado afirmando que "quatro homens encapuçados" invadiram a sua casa e mataram-no num "assassínio cobarde e traiçoeiro", após desativarem as câmaras de segurança.
Saif al-Islam foi capturado por combatentes em Zintan, no final de 2011, quando tentava fugir para o vizinho Níger.
Os combatentes libertaram-no em junho de 2017, após um dos governos rivais da Líbia lhe ter concedido amnistia.
"A dor da perda pesa muito no meu coração e intensifica-se porque não posso despedir-me dele na minha pátria --- uma dor que as palavras não conseguem aliviar", escreveu na redes sociais Mohamed Khadafi, irmão de Saif al-Islam, que vive exilado em paradeiro desconhecido.
"Mas o meu consolo reside no facto de os filhos leais da nação estão a cumprir o seu dever e dar-lhe-ão uma despedida à altura da sua estatura", escreveu o irmão.
Desde a revolta que derrubou Khadafi, a Líbia mergulhou no caos, com o país norte-africano rico em petróleo a dividir-se entre administrações rivais agora no leste e no oeste, apoiadas por vários grupos armados e governos estrangeiros.
Saif al-Islam era o segundo filho de Khadafi e visto como a face reformista do regime, com capacidades diplomáticas e que tinha trabalhado para melhorar as relações da Líbia com os países ocidentais até à revolta de 2011.
Em julho de 2021, Saif al-Islam declarou ao New York Times que estava a considerar regressar à cena política líbia após uma década de ausência, durante, segundo consta, reorganizou os apoiantes políticos do seu pai.
Em novembro de 2021, anunciou a sua candidatura à eleição presidencial do país, uma decisão controversa que gerou protestos das forças políticas anti-Kadhafi no oeste e leste da Líbia.
O Alto Comité Nacional de Eleições desqualificou-o, mas a eleição não foi realizada devido a disputas entre administrações rivais e grupos armados.
As Nações Unidas chegaram a impor sanções a Saif al-Islam, incluindo a proibição de viagens e o congelamento de bens, pelas suas declarações públicas inflamadas que incitavam à violência contra manifestantes anti-Kadhafi durante a revolta de 2011.
O Tribunal Penal Internacional acusou-o posteriormente de crimes contra a humanidade relacionados com a revolta de 2011.
Na quinta-feira, a Missão de Apoio das Nações Unidas na Líbia (UNSMIL, na sigla em inglês) manifestou "profunda preocupação" com o assassínio de Saif al-Islam, sublinhando que este tipo de ações "mina o Estado de direito" e apelou "urgentemente às autoridades líbias competentes para investigarem de forma rápida e transparente este crime, a fim de identificar os responsáveis e levá-los à justiça, bem como para aprovarem medidas decisivas para pôr termo a este padrão de violência".
Na quarta-feira, o presidente da Comissão da União Africana (UA), Mahmoud Ali Youssouf, manifestou também "profunda preocupação" com o sucedido e condenou "firmemente" este "ato violento, que ameaça minar ainda mais os esforços para uma transição política credível e inclusiva na Líbia".
Os apelos juntam-se ao lançado também na quarta-feira pelo Conselho Presidencial da Líbia, principal órgão das autoridades internacionalmente reconhecidas no país, que instou todas as fações a aguardar pelos resultados das investigações.
Leia Também: Detido participante em ataque que matou 4 americanos em Benghazi em 2012














