França vai pedir explicações aos EUA por sanções a ex-comissário europeu
- 04/01/2026
"Estarei nos Estados Unidos dentro de alguns dias. Vou reunir-me com o meu homólogo, Scott Bessent [secretário do Tesouro], e vou abordar este assunto com ele", declarou Roland Lescure à emissora France Info, após criticar a "suposta liberdade de expressão" nos Estados Unidos "que leva as pessoas a dizerem qualquer coisa".
A 23 de dezembro, o Governo norte-americano anunciou a proibição de viajar para os Estados Unidos aplicada a cinco personalidades europeias comprometidas com uma regulamentação mais rigorosa do setor tecnológico, entre as quais o francês Thierry Breton, comissário europeu de 2019 a 2024.
A administração de Donald Trump justificou a medida referindo que estes cinco europeus "lideraram esforços organizados para coagir plataformas norte-americanas a censurar, desmonetizar e suprimir opiniões norte-americanas das quais discordam".
Em causa está o Regulamento dos Serviços Digitais (DSA, na sigla em inglês), legislação da União Europeia promovida e promovida por Breton e que estabelece regras para plataformas 'online' com vista a combater conteúdos ilegais.
Os Estados Unidos sancionaram também o ativista britânico Imran Ahmed, diretor executivo do Centro de Combate ao Ódio Digital (CCDH), uma organização dedicada ao combate ao ódio e à desinformação na internet, e outras três representantes de organizações não-governamentais com o mesmo propósito: Clare Melford, que dirige o GDI, um índice de desinformação no Reino Unido, e Anna-Lena von Hodenberg e Josephine Ballon, da alemã HateAid.
"Obviamente, vou pedir uma explicação sobre esta medida, que lamento. Mas vou também relembrar que o que adotámos na Europa é bem diferente da forma como os Estados Unidos entendem a chamada liberdade de expressão, que lhes leva a dizer praticamente qualquer coisa", criticou Lescure, citado pela agência espanhola Efe.
"A nossa primeira reação a estes acontecimentos é que não vamos ceder e que continuaremos a aplicar a regulamentação europeia, que é coerente com os valores europeus e que contradiz várias convicções americanas atuais", acrescentou o ministro francês.
Segundo Roland Lescure, se os Estados Unidos optaram por tomar tais medidas, é porque foram feitas "coisas de que eles não gostam".
"Acertámos em cheio", atirou.
No início de dezembro, a União Europeia multou o X (antigo Twitter), a rede social do multimilionário Elon Musk, em 120 milhões de euros.
Esta foi a primeira sanção imposta ao abrigo do Regulamento dos Serviços Digitais, uma lei adotada há dois anos.
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