Ficheiros: FBI concluiu que Epstein não liderava rede de tráfico sexual
- 08/02/2026
O FBI concluiu que Jeffrey Epstein não liderava uma rede de tráfico sexual para pessoas em cargos de poder, de acordo com o que mostram os documentos consultados até agora pela Associated Press (AP).
De acordo com o que relembra, este domingo, a AP, o FBI analisou de forma minuciosamente registos bancários e e-mails do magnata, para além de ter feito várias buscas às suas casas e de ter passado vários anos a interrogar as vítimas de Epstein.
Foram também analisadas as relações que o empresário, que morreu em 2019 na prisão, tinha com pessoas em cargos de poder.
Apesar de as investigações policiais e judiciais sobre as alegações de abusos sexuais de menores cometidos pelo milionário já decorrerem ao longo de quase duas décadas, ainda nos dias de hoje se continuam a verificar algumas consequências e revelações - que não devem parar por aqui.
Lá fora, no Reino Unido, Peter Mandelson anunciou que iria abandonar a câmara alta do Parlamento britânico, onde estava. O ano passado, suspendeu funções no final de janeiro de 2025, após ser nomeado para embaixador nos Estados Unidos, posição da qual foi demitido oito meses depois, em setembro, devido a revelações sobre as ligações a Epstein. Foram feitas buscas na casa de Mandelson nos últimos dias.
Também a princesa herdeira da Noruega, Mette-Marit, pediu, esta semana, desculpas às pessoas que diz ter "desiludido", após dias de escrutínio sobre os seus contactos com o falecido criminoso sexual Jeffrey Epstein, lamentando a situação em que colocou a família real.
Epstein descartado de liderança de rede: Porquê?
Segundo o que escreve a AP, não há dúvidas de que o FBI conseguiu juntar "provas amplas" de que o magnata abusou sexualmente de menores de idade, mas quanto ao liderar uma rede de tráfico sexual, as provas já serão, na perspetiva desta autoridade, escassas.
A análise da AP é feita a partir de registos internos do Departamento de Justiça. Um promotor terá escrito em 2025, de acordo com a agência de notícias, que os vídeos e fotografias que foram apreendidos nas casas de Epstein - tanto em Nova Iorque, como no estado norte-americano da Florida ou nas Ilhas Virgens Americanas - não mostravam as vítimas a serem sexualmente abusadas.
Quanto às análises aos registos bancários de Epstein - incluindo pagamentos que ele fez a entidades ligadas a figuras influentes no meio académico, financeiro e diplomático global - não foram também encontradas nenhumas ligações a atividades criminosas, de acordo com outro memorado do Departamento de Justiça dos EUA redigido em 2019.
A AP aponta ainda que os registos mostram que pelo menos uma vítima tornou público que Epstein a "emprestava" aos amigos ricos, os agentes do FBI não conseguiram confirmar essa informação, assim como nenhuma das outras vítimas ouvidas lhes terá contado algo semelhantes.
Em jeito de balanço quanto à investigação, os agentes responsáveis escreverem, em julho passado, um e-mail a dar conta de que a "quatro ou cinco" das pessoas que acusavam Epstein disseram que outros homens e mulheres abusaram delas. Mas, escrevem os agentes, "não havia provas suficientes para acusar estes indivíduos no panorama federal, portanto os casos foram encaminhados autoridades locais."
Como tudo começou?
Recorde-se que Epstein começou a ser investigado em 2005, quando os pais de uma adolescente de 14 anos fizeram queixa às autoridades, dizendo que a filha tinha sido vítima de abuso por parte de um milionário em Palm Beach, na Florida.
Com o decorrer das investigações, as autoridades identificaram 35 raparigas que tinha histórias semelhantes, e no âmbito das quais recebiam entre 200 a 300 dólares para dar ao milionário massagens com cariz sexual.
O FBI juntou-se aí à investigação, e foram elaboradas acusações contra Epstein e alguns assistentes do milionário, que teriam organizado as visitas e pagamentos. O milionário fez, no entanto, um acordo que permitiu que se declarasse culpado de aliciamento de prostituição de menores de idade e foi condenado a 18 meses de prisão, tendo saído em 2009.
O caso voltou às manchetes em 2018 e em Nova Iorque voltaram a ser investigados episódios já denunciados, com Epstein a ser detido novamente, já em 2019. Na prisão, tirou a sua própria vida.















