FBI faz busca a casa de jornalista do Washington Post a pedido do governo
- 14/01/2026
A agência de serviços secretos internos norte-americana (FBI) efetuou hoje buscas na residência de uma jornalista do diário The Washington Post, no âmbito de uma investigação sobre fugas de informações importantes para a segurança nacional.
"A pedido do Departamento de Guerra [Departamento de Defesa], o Departamento de Justiça e o FBI realizaram buscas ao domicílio de uma jornalista do Washington Post que estava a receber e a publicar informações confidenciais e ilegalmente divulgadas por um subcontratado do Pentágono", afirmou a procuradora-geral dos Estados Unidos, Pam Bondi, nas redes sociais.
"O autor das fugas de informação está atualmente atrás das grades", sublinhou a responsável.
"O Governo [do presidente norte-americano, Donald] Trump não tolerará fugas ilegais de informações confidenciais que, quando é publicada, representa um grave risco para a nossa segurança nacional", acrescentou.
A repórter em causa, Hannah Natanson, escreve sobre a atividade do Governo de Trump, para o Post e faz parte de um grupo de jornalistas que recebeu o Prémio Pulitzer em 2022 pela cobertura do ataque ao Capitólio, a 6 de janeiro de 2021, protagonizado por uma turba de apoiantes do atual chefe de Estado, que perdeu as eleições presidenciais de 2020 para o candidato democrata Joe Biden (2021-2025).
O jornal The Washington Post tinha já esta manhã noticiado a busca à residência da jornalista Hannah Natanson, na Virgínia (leste), perto de Washington, que se encontrava em casa quando os agentes entraram e apreenderam "o telefone, os dois computadores portáteis e um 'smartwatch' Garmin".
Os agentes do FBI disseram à jornalista não ser ela o alvo da investigação, que se centra em Aurelio Perez-Lugones, um administrador de sistemas de uma empresa de Maryland com uma autorização de segurança com acesso a "informações ultrassecretas", acusado de ter consultado e levado para casa relatórios confidenciais dos serviços secretos, noticiou o diário norte-americano.
Embora não seja invulgar que o FBI tente identificar fontes de jornalistas que publicam informações sensíveis, "é extremamente incomum e agressivo que as autoridades realizem uma busca à residência de um jornalista", observou o Washington Post.
Em abril passado, a procuradora-geral dos Estados Unidos revogou um diploma do Governo Biden que impedia as autoridades de revistar os registos telefónicos de jornalistas para identificar funcionários do Governo que pudessem ter fornecido informações confidenciais a meios de comunicação social.
Aurelio Perez-Lugones, que serviu na Marinha dos Estados Unidos durante 20 anos, entre 1982 e 2002, antes de trabalhar como subcontratado para o Pentágono desde então, foi detido na semana passada em Maryland (leste), de acordo com documentos judiciais que não mencionam qualquer contacto com jornalistas.
Beneficiário de uma acreditação de segurança de alto nível, é acusado de ter, desde outubro de 2025, acedido sem autorização a informação confidencial e de a ter removido do local de trabalho.
Durante buscas realizadas a 08 de janeiro, os investigadores encontraram alguns desses documentos numa lancheira dentro do veículo de Perez-Lugones, bem como na cave da residência, de acordo com fontes concordantes.
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