EUA: Jornalista acusado de obstrução à liberdade religiosa em protestos
- 31/01/2026
Don Lemon, antigo apresentador da cadeia televisiva CNN, é acusado de "violar os direitos garantidos pela Primeira Emenda" da Constituição, disse um porta-voz governamental à agência de notícias France Presse (AFP).
Uma cerimónia religiosa foi interrompida em 18 de janeiro numa igreja na capital do estado do Minnesota por manifestantes que acreditavam que o vice-diretor do escritório local do serviço de imigração e alfândegas (ICE), principal alvo dos protestos, estava a servir como pastor.
Don Lemon encontrava-se no local a cobrir a cerimónia e foi posteriormente detido, disse o advogado do jornalista.
Lemon foi detido por agentes federais em Los Angeles, onde cobria os Prémios Grammy.
A detenção ocorreu depois de um juiz ter rejeitado, na semana passada, a tentativa inicial dos procuradores de justiça de acusar o jornalista, indicou o advogado, Abbe Lowell, citado pelas agências internacionais.
Lemon, que foi demitido da estação de televisão CNN em 2023, disse que não tem qualquer ligação com a organização que entrou na igreja e alegou que estava no local como jornalista a fazer a cobertura da ação de protesto.
"Don é jornalista há 30 anos, e o seu trabalho em Minneapolis, protegido pela Constituição, não foi diferente do que ele sempre fez", afirmou Lowell num comunicado.
"A Primeira Emenda existe para proteger os jornalistas, cujo papel é revelar a verdade e responsabilizar aqueles que estão no poder", argumentou o advogado, acrescentando que o jornalista "vai contestar estas acusações de forma vigorosa e exaustiva em tribunal".
Além de Don Lemon, a advogada e ativista de direitos civis Nekima Levy Armstrong e duas outras pessoas envolvidas no protesto foram detidos na semana passada.
A secretária da Segurança Interna, Kristi Noem, comentou na altura que os detidos são acusados de tentar "impedir os fiéis de praticarem a sua religião".
Na mesma ocasião, a procuradora-geral dos Estados Unidos, Pam Bondi, avisou que não seriam tolerados "ataques a locais de culto".
Os procuradores acusaram os detidos de violação dos direitos civis por interromperem uma missa na Cities Church, em St. Paul, cidade vizinha de Minneapolis onde um agente do ICE é pastor.
O Departamento de Justiça norte-americano iniciou uma investigação após o grupo ter interrompido o momento religioso entoando "Fora ICE" e "Justiça para Renee Good", em referência à mulher de 37 anos morta a tiro por agentes do ICE em Minneapolis.
A Cities Church pertence à Convenção Batista do Sul e tem como um dos pastores David Easterwood, que lidera um departamento local do ICE.
O advogado de Don Lemon criticou o Departamento de Justiça dos Estados Unidos por focar-se nestes casos em vez de abrir investigações para apurar as circunstâncias das mortes de dois cidadãos abatidos a tiro por agentes do ICE em Minneapolis.
Renee Good e Alex Pretti foram mortos a tiro a 07 e a 24 de janeiro, respetivamente, por agentes do ICE.
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