EUA instam ONU a "fazer muito mais" para combater antissemitismo

  • 28/01/2026

Numa cerimónia na Assembleia-Geral da ONU, em Nova Iorque, onde se assinalou o Dia Internacional em Memória das Vítimas do Holocausto, o embaixador norte-americano junto da ONU apelou à comunidade internacional que permaneça firme e inabalável no combate ao antissemitismo "inclusive nas Nações Unidas, a própria instituição que nasceu das cinzas da Segunda Guerra Mundial, quando o mundo jurou nunca mais vê-lo".

 

"Tenho notícias trágicas e tristes para vocês: está a acontecer novamente. E a ONU precisa de fazer muito mais agora para combater esse veneno ancestral, a fim de cumprir a sua promessa fundadora e proteger todos os povos, incluindo o povo judeu", afirmou Mike Waltz, perante uma audiência que incluía sobreviventes do Holocausto e diplomatas.

Após ressaltar o papel das tropas norte-americanas na libertação dos campos de concentração estabelecidos pela Alemanha nazi, Waltz alertou que o antissemitismo não foi vencido e que, pelo contrário, está a ressurgir com força.

"Está a atingir os piores níveis globais desde o fim da Segunda Guerra Mundial. [O antissemitismo] inflamou e acelerou os bárbaros ataques terroristas do Hamas em 07 de outubro de 2023, quando mais de 1.200 inocentes foram massacrados, famílias foram queimadas e reféns foram feitos. Foi uma orgia de ódio que teve como alvo os judeus de forma explícita", argumentou o representante dos EUA junto da ONU.

Em relação ao crescimento do antissemitismo, Waltz referiu dados de uma auditoria de 2024 feita pela Liga Antidifamação, que registou 9.354 incidentes, o maior número já contabilizado em 46 anos de monitorização.

As agressões aumentaram 21%, o vandalismo 20% e os incidentes em campos universitários entre jovens dispararam 84%, segundo o embaixador.

"Estudantes judeus, mais uma vez, escondem a sua identidade. Comunidades inteiras vivem com medo. Quer dizer, estamos de volta a 1933? Isso é um absurdo e precisamos de denunciar", condenou.

"Eu elogio as Nações Unidas por continuarem a realizar este evento. Mas vejam bem, este é um povo que não consegue viver sem medo. São famílias a fugir dos seus bairros, e vimos sinagogas aqui nos EUA com guardas armados, fortificadas como fortalezas, e os cânticos venenosos a ecoar nas ruas, nos nossos campos universitários e na Internet", denunciou ainda.

Waltz alegou que a "manipulação da história" está a acontecer também na ONU.

"É negação do Holocausto, é distorção, é reabilitação, nessas narrativas históricas, de colaboradores nazistas, é manipulação da história aqui mesmo na ONU e em outros lugares", disse.

No verão passado, os EUA acusaram a relatora especial da ONU para os direitos humanos na Palestina, Francesca Albanese, de postura antissemita e exigiram a sua expulsão ao secretário-geral da ONU, António Guterres.

Washington considerou que as alegações da jurista italiana, de que Israel cometeu genocídio na Faixa de Gaza, "são falsas, ofensivas" e conferem prática de "antissemitismo".

Albanese, que está mandatada pelo Conselho dos Direitos Humanos da ONU, mas que não fala em nome da organização, é uma das vozes mais críticas da guerra de Israel na Faixa de Gaza, assim como do plano do Presidente norte-americano, Donald Trump, para ocupar o enclave palestiniano e deslocar a sua população. 

No evento de hoje na ONU, também o embaixador de Israel acusou as Nações Unidas de alimentar o antissemitismo.

"Chega de conversa. Chegou a hora de agir. Nos últimos anos, ouvimos muitos alertas deste púlpito sobre o aumento do antissemitismo, sobre mentiras perigosas, sobre como o ódio começa com a linguagem", afirmou Danny Danon.

"Esses alertas são válidos, mas soam vazios quando as mentiras que alimentam o antissemitismo são permitidas a se espalhar, inclusive aqui neste prédio, na ONU", acusou o representante de Telavive junto das Nações Unidas.

Danon acrescentou: "Quando narrativas falsas são repetidas nesta câmara, elas não ficam restritas a este espaço, espalham-se pelo mundo com o aval da ONU e cristalizam-se em crenças, transformam-se em ódio".

A sede das Nações Unidas, em Nova Iorque, assinalou hoje o Dia Internacional em Memória das Vítimas do Holocausto com uma cerimónia no salão da Assembleia-geral, sob o tema "A Memória do Holocausto pela Dignidade e pelos Direitos Humanos".

 O evento contou com depoimentos de sobreviventes do Holocausto e discursos oficiais do secretário-geral, da presidente da Assembleia-Geral das Nações Unidas e dos representantes das Missões Permanentes de Israel e dos Estados Unidos na ONU.

Leia Também: Guterres "feliz" por judeus terem recuperado nacionalidade portuguesa

FONTE: https://www.noticiasaominuto.com/mundo/2927297/eua-instam-onu-a-fazer-muito-mais-para-combater-antissemitismo#utm_source=rss-mundo&utm_medium=rss&utm_campaign=rssfeed


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