Eritreu condenado nos Países Baixos por tráfico de pessoas
- 27/01/2026
O tribunal considerou que o homem, identificado como Amanuel Walid, tratou os imigrantes "sem a menor humanidade" durante o percurso da Eritreia para a Europa, através da Líbia.
"O seu único objetivo era extorquir o máximo de dinheiro possível a pessoas em busca de um futuro melhor", afirmou o juiz, dirigindo-se a Walid.
Membros da rede maltrataram milhares de imigrantes antes de os deterem em campos sobrelotados e insalubres na Líbia, exigindo somas avultadas às respetivas famílias.
O tribunal de Zwolle, no norte dos Países Baixos, ouviu testemunhos de vítimas que foram torturadas e que eram forçadas a pagar para que os maus-tratos cessassem.
Só após a receção do dinheiro das famílias é que os imigrantes eram colocados em embarcações precárias para a perigosa travessia do Mediterrâneo. Muitos acabaram por se afogar.
O Ministério Público dos Países Baixos tinha pedido a pena máxima de 20 anos de prisão para Walid e o tribunal considerou que "a gravidade e a dimensão dos crimes justificam a aplicação da pena máxima", declarou o juiz, observando que o arguido nunca manifestou arrependimento pelos seus atos.
Walid encontra-se detido nos Países Baixos desde outubro de 2022 e afirma chamar-se por outro nome e ter 46 anos, e não 42.
Durante o processo, não prestou declarações substanciais em tribunal e negou as acusações alegando tratar-se de um erro de identidade.
Por outro lado, os advogados de defesa argumentaram ainda que o seu cliente já tinha sido julgado na Etiópia pelos mesmos factos, pelo que não poderia ser julgado novamente.
Em resposta, o tribunal neerlandês sublinhou que a pena aplicada na Etiópia ainda não tinha sido executada, acrescentando que Walid poderá recorrer, se assim o entender.
O Ministério Público neerlandês considera que Amanuel Walid foi um dos percursores mais ativos na rota que liga regiões de África devastadas por conflitos à Europa, através da Líbia.
"O arguido privou as suas vítimas da liberdade e da dignidade", sustentou a acusação em tribunal.
"Deteve-as em condições aterradoras, deixou-as passar fome, torturou-as e recusou-lhes cuidados médicos essenciais", acrescentou.
A investigação neerlandesa durou vários anos e foi conduzida em cooperação com organismos internacionais, como o Tribunal Penal Internacional e a Interpol.
A Líbia ocupa um lugar central nas rotas migratórias desde o caos que se seguiu à revolta de 2011 que derrubou o ditador Muammar Kadhafi, que estava no poder há mais de 40 anos.
O país é regularmente criticado pelo tratamento dado aos imigrantes por redes de tráfico, com organizações de defesa dos direitos humanos a denunciarem práticas de extorsão e escravatura.
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