Embaixadores africanos em Moçambique apoiam vítimas das cheias
- 26/01/2026
"Estamos aqui como embaixadores acreditados em Moçambique para expressar o nosso apoio e solidariedade com os nossos irmãos do povo moçambicano, com um pequeno valor, e dizer através desta participação que os nossos irmãos não estão sozinhos, nós vamos sempre ficar do lado do povo moçambicano", disse o diplomata palestiniano Ffayez Abdul Jawad, falando em representação dos 21 embaixadores de países africanos acreditados em Moçambique.
O diplomata disse que os moçambicanos são resilientes e vão ultrapassar o "momento difícil" das cheias e inundações que afetam sobretudo a região sul do país, pedindo solidariedade coletiva e mais atenção na assistência às crianças durante este período.
Os embaixadores disseram ainda que decidiram contribuir após receberem testemunhos e relatos dos acontecimentos no terreno, esclarecendo que esta ajuda é distinta à assistência que o país continua a receber das organizações regionais e no âmbito da cooperação bilateral com os países africanos.
Na mesma ocasião, a ministra dos Negócios Estrangeiros e Cooperação de Moçambique disse que o apoio veio de diplomatas que "são patriotas" e "fazem parte de Moçambique", elogiando os esforços para ajudar a salvar vidas.
"É uma contribuição que vem do coração, é contribuição do salário deles para apoiar e aliviar o nosso povo (...). Obrigado não só por causa deste donativo, mas também por aquilo que estão a fazer nos seus países, tentando mobilizar apoios para Moçambique", disse a ministra Maria Lucas.
De acordo com a base de dados do Instituto Nacional de Gestão e Redução do Risco de Desastres (INGD), a que a Lusa teve acesso, com informação até às 07:00 (05:00 de Lisboa) de hoje, as cheias que se registam em vários pontos do país afetaram já 652.189 pessoas, equivalente a 141.317 famílias, com registo de 3.445 casas parcialmente destruídas, 767 totalmente destruídas e 153.417 inundadas.
Os dados do INGD referem ainda 45 feridos e quatro desaparecidos na sequência destas cheias em menos de 20 dias, numa altura em que centenas de famílias continuam sitiadas, a aguardar resgate, sobretudo no sul de Moçambique.
Desde o início da época das chuvas, em outubro, incluindo as últimas duas semanas de cheias, já morreram 131 pessoas em Moçambique, além de 144 feridos, e 779.528 pessoas foram afetadas, segundo os dados do INGD.
Hoje prosseguem ações e tentativas de resgate de centenas de famílias que continuam sitiadas pelas cheias, algumas refugiadas em telhados de casas, sobretudo em Maputo e Gaza, sul de Moçambique, resultado das fortes chuvas durante vários dias, que têm levado as barragens, incluindo dos países vizinhos, a realizarem descargas, por falta de capacidade de encaixe.
Estão envolvidos nestas operações mais de uma dezena de meios aéreos, incluindo da África do Sul, bem como embarcações privadas e da Marinha de Guerra.
Em Maputo, as estradas Nacional 1, para norte, e Nacional 2, para sul, continuam intransitáveis, devido à subida das águas.
Leia Também: Cheias já afetaram 700 mil moçambicanos com 105 mil em centros de abrigo














