Eis os principais protestos no Irão nos últimos 25 anos: Recorde
- 02/01/2026
Pelo menos sete pessoas morreram em confrontos entre manifestantes e forças de segurança nas províncias rurais, nomeadamente no oeste do Irão.
Eis uma retrospetiva dos principais movimentos de protesto no Irão desde 1999:
Uso obrigatório do véu
A morte sob custódia, em 16 de setembro de 2022, de Mahsa Amini, uma jovem curda iraniana presa por alegadamente violar o código de vestuário com um véu mal ajustado, desencadeou meses de protestos em todo o país, sob o grito de guerra: "Mulheres, Vida, Liberdade!".
Centenas de pessoas foram mortas, incluindo dezenas de membros das forças de segurança, e milhares de manifestantes foram detidos.
Hoje, porém, um número crescente de mulheres aparece em público sem véu em Teerão e noutras grandes cidades, desafiando a obrigatoriedade do uso do 'hijab' em vigor desde a fundação da República Islâmica em 1979.
Escassez de água e eletricidade
Em 15 de julho de 2021, eclodiram protestos contra a escassez de água na província de Khuzistan, no sudoeste do país, atingida pela seca. Três pessoas foram mortas na região e uma quarta morreu durante "tumultos" na província vizinha de Lorestan, segundo os meios de comunicação estatais.
Nesse mesmo mês, dezenas de pessoas realizaram manifestações antigovernamentais em Teerão, protestando contra os cortes de energia.
Em novembro, milhares de pessoas reuniram-se em Isfahan para protestar contra a diminuição do caudal de um rio importante no centro do Irão, em parte devido à seca. A polícia anunciou a detenção de quase 70 pessoas após confrontos entre agentes de segurança e manifestantes.
Aumento do preço dos combustíveis
Em 15 de novembro de 2019, os protestos irromperam logo após o anúncio de um aumento acentuado dos preços dos combustíveis. As manifestações espalharam-se por cerca de 100 cidades, incluindo Teerão, Mashhad e Isfahan.
Segundo a Amnistia Internacional (AI), mais de 300 pessoas foram mortas na repressão que durou três dias, números rejeitados por Teerão. Pelo menos 7.000 pessoas terão sido detidas, de acordo com o Alto Comissariado das Nações Unidas para os Direitos Humanos.
Manifestações contra o elevado custo de vida e contra o Governo
No final de dezembro de 2017, centenas de pessoas manifestaram-se em Mashhad (nordeste), a segunda maior cidade do país, e noutras cidades contra o aumento dos preços, o desemprego e o Governo. As autoridades bloquearam o acesso às redes sociais Telegram e Instagram, acusando grupos "contrarrevolucionários" no estrangeiro de utilizarem estas redes para incitar protestos.
Em 01 de janeiro de 2018, os distúrbios espalharam-se por dezenas de cidades. Os manifestantes atacaram e, por vezes, incendiaram edifícios públicos, centros religiosos, bancos e carros da polícia.
O movimento resultou em pelo menos 25 mortes, a maioria de manifestantes, e levou a centenas de detenções.
Protestos pós-eleitorais
Em meados de junho de 2009, a contestada reeleição do Presidente ultraconservador Mahmoud Ahmadinejad desencadeou protestos em Teerão, que foram violentamente reprimidos. Os apoiantes do seu rival, Mir Hossein Mousavi, denunciaram a eleição como fraudulenta.
Os tumultos e confrontos intensificaram-se, e os jornalistas estrangeiros foram impedidos de trabalhar ou obrigados a abandonar o país.
O regime acabou por esmagar os protestos com uma repressão brutal que fez dezenas de mortos e milhares de presos, devastando os círculos políticos e intelectuais da oposição com dezenas de sentenças, muitas destas bastante severas.
Protestos estudantis
Em julho de 1999, eclodiu um movimento de protesto estudantil, marcado pela violência.
No dia 08 de julho, cerca de uma centena de estudantes reuniram-se nos dormitórios da universidade de Teerão para protestar contra a proibição de um jornal ligado ao então presidente, o reformista Mohammad Khatami.
Durante a noite, ocorreu o primeiro ataque das forças de segurança. No dia seguinte, o movimento ganhou força, sobretudo em Tabriz (noroeste), e a violência intensificou-se.
Quatro dias depois, eclodiram confrontos entre manifestantes e forças de segurança, incluindo a polícia e a Basij (voluntários islâmicos encarregues de certas funções de ordem pública), cuja intervenção praticamente pôs fim aos protestos.
A violência resultou oficialmente em três mortes, enquanto a imprensa noticiou cinco.
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