Donos de bar na Suíça terão ignorado proibição de fogos de artifício
- 02/01/2026
Os donos do bar onde, pelo menos, 40 pessoas morreram e 115 ficaram feridas depois de um incêndio de grandes proporções, terão ignorado uma proibição de fogos de artifício imposta dias antes pelo governo local.
Na terça-feira, dia 30 de dezembro, o município de Crans-Montana, onde ocorreu o incidente, terá proibido o uso de qualquer tipo de fogos de artifício, incluindo velas de foguete, segundo o The Telegraph, alertando para um risco de incêndio "extremamente elevado", devido a condições de seca na região.
Apesar da proibição - e do alerta - "tudo indica que o incêndio começou com velas de foguete colocadas sobre garrafas de champanhe, que foram levadas muito perto do teto, e a partir daí ocorreu uma conflagração rápida e generalizada", explicou a Procuradora-Geral do Cantão de Valais, Béatrice Pilloud, em conferência de imprensa.
Em declarações ao canal francês BFMTV, duas mulheres contaram que estavam no interior do estabelecimento quando viram um barman a transportar uma barmaid aos ombros enquanto esta segurava numa garrafa com velas de foguete. As faíscas deste fogo de artifício terão chegado ao teto, iniciando o incêndio.
Em imagens partilhadas nas redes sociais, e que pode ver aqui, é possível ver chamas a alastrarem-se pelo teto, apesar das tentativas de apagar o fogo por parte de alguns visitantes do bar.
Para já, os co-proprietários do Le Constellation estão sob suspeita por "incêndio criminoso por negligência" e "homicídio por negligência", sendo que ambos já foram interrogados pelas autoridades.
Material de isolamento inflamável e saída de emergência estreita
A investigação, neste momento, estará a focar-se no material de isolamento de som usado no teto do bar - o qual se pode ver em chamas. Alguns meios de comunicação internacionais adiantam que muito provavelmente se trata de poliuretano acústico (uma espuma tipicamente usada em estúdios de gravação), relativamente barato, mas extremamente inflamável.
Imagens alegadamente do início do incêndio© Reprodução
A confirmar-se o uso deste material isto, só por si, poderá ser o suficiente para indiciar os donos do bar dos crimes, tendo em conta que a Suíça tem leis bastante rígidas quanto ao uso de materiais inflamáveis em zonas públicas subterrâneas.
Para além disso, as autoridades estarão também a investigar o porquê de o bar ter apenas uma saída de emergência quando o espaço teria capacidade para 200 a 300 pessoas. A saída, note-se ainda, estava no topo de um vão de escadas estreito.
Saída de emergência do bar Le Constellation© Reprodução
Menores (de 13 anos) estariam a ser servidos no bar
Para além disto, têm ainda surgido vários relatos de que o bar deixou entrar vários menores, alguns com apenas 13 anos, e que terá ainda servido bebidas alcoólicas aos mesmos.
À BFMTV um jovem de 13 anos afirmou já ter entrado no bar e que o estabelecimento nunca verificava a idade dos visitantes.
"A maior parte dos bares só aceitam adultos, e o Le Constellation era o único sítio onde podias ir aos 16, apesar de que, na realidade, também lá estavam miúdos mais novos. Eles nunca verificam [a identidade] de qualquer maneira", disse, acrescentando que, por isso mesmo, temia que uma grande parte dos mortos neste incêndio possam ser menores.
"A maior parte das pessoas que eu vi lá dentro naquela noite foram crianças, e estamos a falar entre os 13 e os 15 anos. A entrada estava aberta a toda a gente. Isto é ilegal. Eles estavam a servir álcool a menores e não havia qualquer segurança", contou aos media gregos Romain Kallergis, cuja irmã Alice, de 15 anos, está desaparecida.
Dono garante: "Tudo foi feito de acordo com as normas"
Em declarações (curtas) esta sexta-feira ao jornal suíço Tribune de Genève, Jacques Moretti, um dos proprietários do Le Constellation, garantiu que "tudo foi feito de acordo com as normas" em vigor e, portanto, não foi cometida qualquer ilegalidade que possa ter resultado no incêndio.
O proprietário, que "não estava bem" e, por isso, quis manter a conversa curta, adiantou ainda que o bar foi inspecionado "três vezes em dez anos". Ora, de acordo com a lei suíça, este número é bastante inferior ao suposto.
As inspeções a "edifício abertos ao público ou que apresentem riscos especiais" devem ser feitas "todos os anos", a qual está a cargo do governo local. A confirmar-se este número, ficam a faltar sete inspeções ao estabelecimento (na prática sete anos), sendo que não se sabe quando terá sido realizada a última inspeção de segurança ao estabelecimento.
O incêndio, recorde-se, deflagrou pelas 1h30 locais (00h30 em Lisboa) de quinta-feira, seguindo-se uma explosão, no bar-discoteca La Constellation, na estância de Crans-Montana. Segundo explicou a procuradora de Valais, "o fogo alastrou-se e, à medida que se intensificava, causou uma explosão generalizada".
Até ao momento, só se sabe a identidade de um dos mortos do incêndio em La Constellation. Trata-se de Emanuele Galeppini, de 16 anos, de nacionalidade italiana, que se destacava pelo seu talento no golfe.
Esta sexta-feira soube-se ainda que um dos mais de 100 feridos do incidente é uma mulher portuguesa na casa dos 40 anos, originalmente de Vale de Telhas, em Mirandela. Há ainda uma segunda portuguesa, de 22 anos, desaparecida, mas, para já, ainda não é possível "relacionar com este gravíssimo incidente", revelou o secretário de Estado das Comunidades Portuguesas, Emídio Sousa.
















