Crianças desaparecidas há mais de 10 dias em mata no Brasil: Que se sabe?
- 15/01/2026
Duas crianças estão desaparecidas desde dia 4 de janeiro numa mata na zona rural de Bacabal, no estado brasileiro do Maranhão. As buscas entraram hoje no 12.º dia e o caso está a gerar consternação em todo o Brasil.
As crianças são os dois irmãos Àgatha Isabelly, de 6 anos, e Allan Michael, de 4 anos, que sairam naquele dia para brincar na rua com o primo Anderson Kauã, de 8 anos.
Três dias após o desaparecimento, o menino mais velho foi encontrado por trabalhadores rurais, nu e desorientado, a 4km do local do desaparecimento. A criança está desde então internada no Hospital Geral de Bacabal, a receber acompanhamento médico e psicológico.
Exames feitos entretanto confirmam que o menino não sofreu violência sexual, mas os contornos do caso continuam por esclarecer e os primos continuam em parte incerta.
As buscas envolvem cerca de 600 elementos entre Exército, Polícia Militar, Polícia Civil, Bombeiros e até moradores. A família vive momentos de angústia.
"Dor que não desejo a ninguém"
Clarice Cardoso, mãe de Àgatha Isabelly e Allan Michael, diz não saber ao certo se as crianças estarão na mata, já que até agora nenhuma pista foi encontrada.
"O que eu espero é que eles encontrem os meus filhos. Se pegaram, saber quem pegou e o porquê. Isso é o que passa na minha cabeça", desabafa em entrevista à Globo.
Clarice tem vivido dias de dor e incerteza, com dificuldades em descansar e em se alimentar. "Tem sido difícil. Para dormir, tive que tomar medicação, não comia. É uma dor que não desejo para ninguém", afirma.
Zona "de extremo risco e difícil acesso"
No terreno, as buscas seguem por via terrestre, aérea, em lagos e rios. As autoridades que estão empenhadas nas operações têm vindo a dar conta de todos os esforços e dificuldades através das redes sociais.
No Facebook, o Corpo de Bombeiros Militar do Maranhão tem mostrado imagens da mata em questão, ficando evidente a complexidade do terreno e as dificuldades em encontrar novas pistas.
"Em meio à vegetação fechada, com espinhos, áreas alagadas, rios e lagos, militares do Corpo de Bombeiros avançam por terrenos de extremo risco e difícil acesso. Mesmo diante do cansaço e das adversidades, as equipes seguem incansavelmente na busca por duas crianças desaparecidas, mantendo o foco, a técnica e a esperança a cada passo", pode ler-se numa das publicações.
Numa das publicações mais recentes, a corporação dá conta de que a operação de busca passou a contar com o reforço de militares especializados do Pará e Ceará, com cães treinados e drones com câmaras térmicas.
"Todo apoio é importante para somar nos esforços e ampliar o alcance das ações. Mantemos nossa esperança e muito empenho nesta missão de localizar as crianças e entregá-las à família", escreveram.
No dia 8, um dia após ter sido encontrado Anderson Kauã, o autarca de Bacabal, no Maranhão, anunciou uma recompensa de 20 mil reais (cerca de 3.200 euros) a quem tivesse informações ou pudesse estar com as crianças. Apesar disso, as autoridades não receberam nenhuma nova informação.
No dia seguinte, centenas de voluntários passam a integrar as buscas, no terreno de difícil acesso. No dia 10, também o Exército juntou-se às operações, que entretanto se concentraram numa zona próxima de um lago, após o relato do menino de 8 anos, que alegou ter deixado os primos naquele local para procurar ajuda.
No passado domingo, dia 11, chegaram a ser encontradas algumas peças de roupa na área de buscas, mas as análises vieram a confirmar que não pertenciam às crianças.
Esta manhã, o autarca, Carlos Brandão, esteve reunido por videoconferência com as autoridades, e garantiu que os trabalhos vão continuar até haver uma resposta.
Manhã de videoconferência com nosso sistema de segurança e a prefeitura, que estão mobilizados em Bacabal, trabalhando com competência e todos os recursos disponíveis para encontrar os irmãos Ágatha e Michel. Contamos com o apoio de outros estados, do @exercitooficial, do… pic.twitter.com/ronLSHTIYV
— Carlos Brandão 🇧🇷 (@carlosbrandaoma) January 15, 2026
Leia Também: Familiares exigem regresso do cadáver do último refém israelita em Gaza














