Comissário europeu da Defesa pede força militar com 100 mil soldados
- 11/01/2026
Numa conferência sobre segurança, que decorreu na cidade sueca de Sälen, Andrius Kubilius interveio no painel "Europa sob Pressão" e afirmou que o reforço do investimento na área da defesa por parte da União Europeia (UE) deve passar por "agir como Europa e não apenas como uma coleção de 27 'exércitos bonsai' nacionais", como disse em tempos o antigo chefe da diplomacia da UE, Josep Borrell.
"A falta de unidade é o nosso problema", declarou o comissário europeu da Defesa, falando sobre o que a UE deve fazer para dar "um grande salto" nas despesas com a defesa, de forma a alcançar "um progresso mais radical" do que apenas o rearmamento.
Kubilius questionou se os Estados Unidos da América (EUA) seriam militarmente mais fortes se tivessem 50 exércitos a nível estatal em vez de um único exército federal, 50 políticas e orçamentos de defesa estatais em vez de uma única política e orçamento de defesa federal: "Se a nossa resposta for 'não', os EUA não seriam mais fortes, então de que estamos à espera?"
O comissário europeu, antigo primeiro-ministro da Lituânia, citou um artigo recente do jornal Politico que revela que "em Espanha, Bélgica e Alemanha, cerca de 70% dos cidadãos preferem que a defesa dos seus países seja feita por um exército europeu em vez de um exército nacional (10%) ou da NATO (12%)".
O político lituano insistiu que não se deviam evitar questões incómodas, incluindo a forma como a UE criaria "um pilar europeu" da NATO - Organização do Tratado do Atlântico Norte, quem seria o comandante supremo europeu e o que aconteceria às capacidades de comando e controlo europeias e aos quartéis-generais europeus caso as tropas norte-americanas se retirassem da Europa.
"E, mais importante: como iremos substituir a força militar permanente dos EUA, composta por 100 mil militares, que constitui a espinha dorsal da defesa militar na Europa? [...] Quem constituirá a nossa espinha dorsal militar europeia permanente: os alemães? Uma coleção de 27 exércitos? [...] Exércitos como bonsai, exércitos que parecem bons, mas são reduzidos?", enfatizou o comissário.
Como resposta a estas questões, Kubilius fez renascer a proposta feita há quase dez anos por três líderes europeus, nomeadamente Jean-Claude Juncker (ex-presidente da Comissão Europeia), Emmanuel Macron (presidente francês) e Angela Merkel (chanceler alemã), e que tem o apoio de especialistas e cidadãos europeus: "a criação de uma poderosa força militar europeia permanente de 100 mil soldados".
Estas declarações surgem numa altura em que as persistentes observações do presidente norte-americano, Donald Trump, sobre a sua ambição de anexar a Gronelândia alimentam receios entre os líderes da NATO sobre a fiabilidade da aliança com Washington.
As preocupações com a postura de Donald Trump em relação à Europa já levaram os países a intensificar os seus esforços para reforçar as suas forças armadas contra a ameaça russa.
Embora a ideia de criar um exército europeu não seja nova, até agora não conseguiu ganhar força, uma vez que os governos dos 27 países da UE se têm mostrado relutantes em abdicar do controlo das suas forças armadas.
Washington instou os seus aliados europeus a assumirem uma maior responsabilidade pela sua própria segurança, levantando a possibilidade de redistribuir tropas estacionadas na Europa para se concentrarem na China.
Considerando que, neste contexto, a UE não pode fugir às questões mais prementes relativas à capacidade institucional de defesa, o comissário europeu Kubilius reforçou a ideia de criar um Conselho de Segurança Europeu, proposta que apresentou durante a sua visita a Portugal durante esta semana.
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