Cidadão canadiano morto durante protestos antigovernamentais no Irão
- 15/01/2026
"Acabei de saber que um cidadão canadiano morreu no Irão às mãos das autoridades iranianas", revelou a ministra dos Negócios Estrangeiros do Canadá, Anita Anand, na rede social X, sem fornecer detalhes sobre as circunstâncias, o local ou a data da morte.
Contactado pela agência France-Presse (AFP), o Ministério dos Negócios Estrangeiros de Otava confirmou que o cidadão canadiano foi morto pelas autoridades iranianas durante uma manifestação.
Acusando o regime iraniano de "flagrante desprezo pela vida humana", Anita Anand reiterou que o Canadá "condena veementemente esta violência" e exige que "termine imediatamente".
O Ministério dos Negócios Estrangeiros do Canadá tem também vindo a instar desde terça-feira os seus cidadãos presentes no Irão --- estimados em cerca de 3.000 --- a abandonarem o país de imediato.
Portugal determinou na quarta-feira o encerramento temporário da embaixada no Irão, segundo uma nota hoje divulgada pela diplomacia de Lisboa, indicando que "todos os portugueses naquele país foram contactados, tendo oito cidadãos nacionais já abandonado território iraniano".
O ministério português informou que "alguns cidadãos" estão em processo de saída, sem adiantar mais pormenores por motivos de segurança.
Dez cidadãos nacionais, "sete dos quais detêm dupla nacionalidade, portuguesa e iraniana, quiseram permanecer no país", acrescentou a nota informativa, que desaconselhou "todas e quaisquer viagens ao Irão".
O Irão está a ser agitado por uma nova vaga de protestos desde 28 de dezembro, iniciada em Teerão por comerciantes e setores económicos afetados pelo colapso do rial, a moeda iraniana, e pela elevada inflação, alastrando-se depois a mais de 100 cidades do país.
Organizações de defesa dos direitos humanos acusam o Irão de realizar uma repressão em grande escala desde o início dos protestos, de que resultaram milhares de mortos, feridos e detidos, segundo vários balanços entretanto divulgados.
As autoridades iranianas receberam inicialmente com compreensão os protestos, mas entretanto endureceram a sua posição e repressão contra os manifestantes, que passaram a ser tratados como terroristas associados aos Estados Unidos e Israel.
Os balanços de mortes nos protestos no Irão variam conforme as organizações de direitos humanos, que baseiam os seus dados em fontes locais, incluindo das autoridades, centros clínicos e morgues, e testemunhas, mas todos apontam para a ocorrência de uma repressão em grande escala, que provocou entre 2.500 e 12.000 vítimas desde o início dos protestos, segundo os últimos dados revelados na quarta-feira.
Todas as organizações iranianas e internacionais destacaram porém a dificuldade de alcançar a dimensão real da repressão dos protestos, face à ausência de números oficiais e ao bloqueio total da Internet no país desde há uma semana.
Teerão confirmou apenas que mais de 150 membros das forças de segurança foram mortos até ao momento, mas ainda não divulgou números sobre civis, alegando que os processos de identificação ainda estão em curso.
O Presidente norte-americano, Donald Trump, tem ameaçado repetidamente as autoridades iranianas com uma intervenção militar contra a República Islâmica e instou os manifestantes a prosseguirem os seus protestos.
O Conselho de Segurança das Nações Unidas vai reunir-se hoje para discutir a situação no Irão, a pedido da representação norte-americana.
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