Ciclone pode atingir Canal de Moçambique em 12 de fevereiro
- 07/02/2026
Em comunicado, o Inam refere que a perturbação tropical que se formou no oceano Índico evoluiu para depressão tropical, sendo que até sexta-feira caracterizava-se por ventos médios de 55 quilómetros por hora e rajadas de até 75 quilómetros por hora, deslocando-se em direção a sudoeste a 15 quilómetros por hora.
"As projeções indicam que este sistema poderá evoluir até ao estágio de ciclone tropical nos próximos dias, com potencial de atingir o Canal de Moçambique no dia 12 de fevereiro", lê-se na nota divulgada pelo Inam, acrescentando que o mesmo sistema ainda não constitui perigo para a parte continental do país.
Só entre dezembro e março, na anterior época das chuvas, Moçambique foi atingido por três ciclones, incluindo o Chido, o primeiro e mais grave, no final de 2024, com registo de quase 200 mortos.
Este alerta do Inam surge numa altura em que o país, ainda a meio da época chuvosa e ciclónica, se debate com as consequências das cheias de janeiro, em que o número de mortos subiu quinta-feira para 25, com 724.385 afetados, de acordo com dados provisórios do Instituto Nacional de Gestão e Redução do Risco de Desastres (INGD).
Segundo informação da base de dados do INGD, a que a Lusa teve acesso e com dados até às 14:30 (12:30 de Lisboa), as cheias que se registam em vários pontos de Moçambique já afetaram o equivalente a 170.392 famílias.
Desde 07 de janeiro, foram registados ainda 147 feridos e nove desaparecidos na sequência destas cheias, além de 3.587 casas parcialmente destruídas, 885 totalmente destruídas e 166.081 inundadas, agravando os números anteriores.
Desde o início da época das chuvas, em outubro, incluindo as cheias de janeiro, há registo de 191 mortos, além de 291 feridos e de 845.144 pessoas afetadas, segundo os dados do INGD.
Em 16 de janeiro, o Governo decretou o alerta vermelho nacional.
De acordo com os dados atualizados, estão atualmente ativos 77 centros de acomodação, com 78.407 pessoas. Nesta atualização, contabiliza-se ainda que foram afetadas, desde 07 de janeiro, 229 unidades sanitárias e 323 escolas, 14 pontes e 3.783 quilómetros de estrada.
No registo do INGD aponta-se também para 440.906 hectares de área agrícola afetados, dos quais 275.405 dados como perdidos, atingindo a atividade de 314.783 agricultores, além da morte de 412.446 cabeças de gado.
A União Europeia, os Estados Unidos, Portugal, Angola, Espanha, Timor-Leste, Suíça, Noruega, Japão, China, França e Alemanha, além de países vizinhos, já anunciaram e enviaram ajuda humanitária de emergência.
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