China denuncia "protecionismo" da UE após investigação ao Goldwind
- 04/02/2026
O porta-voz do ministério dos Negócios Estrangeiros da China Lin Jian instou Bruxelas a respeitar os seus compromissos de abertura de mercado e os princípios da concorrência leal, apelando ao fim do "abuso de instrumentos comerciais unilaterais", ao mesmo tempo que defendeu um ambiente empresarial "justo, transparente e não discriminatório" para empresas de todos os países.
Lin escusou-se a comentar o caso concreto, remetendo eventuais esclarecimentos para as "autoridades competentes" chinesas, mas afirmou que a União Europeia tem recorrido de forma reiterada a medidas "discriminatórias e restritivas" contra empresas chinesas, o que, segundo disse, prejudica a imagem do bloco e afeta a disponibilidade das companhias chinesas para investir na Europa.
O porta-voz reiterou ainda que Pequim "salvaguardará firmemente os direitos e interesses legítimos e legais das empresas chinesas", em linha com a posição assumida pela China noutros processos comerciais instaurados pela UE em setores considerados estratégicos.
A reação chinesa surge depois de a Comissão Europeia ter anunciado a abertura de uma investigação ao fabricante chinês de turbinas eólicas Goldwind, por suspeitas de que os subsídios concedidos por Pequim --como apoios diretos, benefícios fiscais ou financiamento em condições favoráveis -- possam distorcer a concorrência no mercado interno da UE.
Bruxelas explicou que a investigação, iniciada por iniciativa própria ao abrigo do regulamento europeu sobre subsídios estrangeiros aprovado em 2023, vai avaliar todas as atividades da empresa na União Europeia e determinar se essas ajudas melhoraram indevidamente a sua posição competitiva face a outros operadores do setor eólico.
A Goldwind opera em vários países europeus através de filiais, entre as quais a alemã Vensys, desenvolvendo na UE atividades que vão desde a produção de turbinas até serviços de investigação, manutenção e gestão de parques eólicos.
Segundo a Comissão Europeia, o processo poderá terminar com compromissos assumidos pela empresa para corrigir eventuais distorções ou com o arquivamento do processo sem objeções, estando a sua conclusão prevista para o outono de 2027.
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