Captura de Maduro revela presença de militares e espiões cubanos no país
- 09/01/2026
Este foi um dos temas mais polémicos e tantas vezes negado na relação entre a Venezuela e Cuba.
A influência cubana no aparelho de segurança venezuelano tem vindo a ser apontada há duas décadas por especialistas, dissidentes e organismos internacionais, mas os governos de ambos os países sempre negaram..
Um relatório de 2022 da Missão Independente de Determinação de Factos da ONU (FFMV, na sigla em inglês) concluiu, após analisar "acordos escritos confidenciais" entre Caracas e Havana, que esta colaboração remonta a 2006, quando os presidentes eram, respetivamente, Hugo Chávez e Fidel Castro.
Este documento, entregue ao Conselho de Direitos Humanos da Organização das Nações Unidas, afirma que "agentes do Estado cubano tinham instruído e assessorado a Direção Geral de Contra Inteligência Militar" venezuelana "em algumas das suas atividades de espionagem e contra espionagem", segundo confirmaram antigos funcionários dessa instituição.
Outros especialistas apontaram que a chegada de cubanos começou pouco depois do golpe de Estado que retirou Chávez do poder durante dois dias, em 2002.
De acordo com o livro 'A invasão consentida' (Debate, 2019), escrito por um grupo de jornalistas venezuelanos, sob o pseudónimo Diego G. Maldonado, Chávez decidiu confiar os assuntos de segurança nacional a elementos cubanos após consultar Castro.
Este livro afirma, como confirmaram vários meios de comunicação em 2019, que ambos os países assinaram um acordo militar secreto em 2008, pelo qual foi concedido a Cuba um papel central na reestruturação dos serviços de contra espionagem venezuelanos, além da tarefa de formar os oficiais do país e assessorar diretamente a Direção-Geral de Contra Inteligência Militar (DGICM).
Dois anos depois da assinatura do documento, o general venezuelano reformado Antonio Rivero rompeu com o chavismo e acusou o executivo do seu país de permitir a infiltração de funcionários do G2, o braço de inteligência de Cuba.
Rivero, detido em 2013, vive exilado desde 2014 e sobre ele recaem várias acusações na Venezuela, como revelação de informações militares, ultraje à Força Armada e instigação ao crime.
Quase uma década depois, e já com Maduro como presidente, Manuel Ricardo Cristopher, ex-chefe do Serviço Bolivariano de Inteligência (Sebin), também cortou laços com o chavismo após as mobilizações de dissidentes de 2019 e criticou a presença de milhares de militares cubanos no seu país, a autonomia de comando da espionagem cubana em Caracas e que entre as suas funções estivesse o primeiro anel de segurança de Maduro.
Vários responsáveis da primeira Administração do presidente Donald Trump, como o então secretário de Estado, Mike Pompeo, afirmaram que entre 20.000 e 25.000 agentes de segurança e militares cubanos operavam na Venezuela.
O enviado especial dos EUA para a Venezuela, Elliott Abrams, sustentou, por outro lado, que existia um núcleo duro de 2.000 agentes de inteligência cubanos no país sul-americano, mas Havana negou veementemente.
Johana Tablada, então subdiretora para os Estados Unidos do Ministério das Relações Exteriores cubano, falou em "calúnia".
"Não há tropas cubanas na Venezuela. Não há tropas de segurança de Cuba na Venezuela. Cuba não participa com tropas nem efetivos militares em operações militares ou de segurança na Venezuela", disse.
Trump chamou então Maduro de "marioneta cubana" e ameaçou a ilha com um "embargo total", se não retirasse as suas tropas da Venezuela.
A esta ameaça, o presidente cubano, Miguel Díaz-Canel, respondeu que o seu país não mantinha "operações militares nem tropas" na Venezuela. No entanto, o próprio Governo cubano qualificou os 32 militares falecidos agora, durante o ataque de Washington à Venezuela como "combatentes".
Leia Também: Edmundo González Urrutia pede reconhecimento da vitória eleitoral de 2024














