Capacete com atletas mortos? "Verdade não pode ser inconveniente"
- 10/02/2026
O presidente ucraniano, Volodymyr Zelensky, reagiu à mais recente polémica dos Jogos Olímpicos de Inverno que envolve o atleta ucraniano Vladyslav Heraskevych, porque usou um capacete com imagens de colegas que morreram no decorrer da guerra na Ucrânia.
"O seu capacete tem retratos dos nossos atletas que foram mortos pela Rússia. O patinador artístico Dmytro Sharpar, que foi morto em combate perto de Bakhmut, Yevhen Malyshev, um biatleta de 19 anos morto perto de Kharkiv e outros atletas ucranianos cujas vidas foram perdidas pela guerra da Rússia", começou por escrever na rede social X (antigo Twitter).
E acrescentou: "Agradeço ao porta-estandarte da nossa equipa nacional nos Jogos Olímpicos de Inverno, Vladyslav Heraskevych, por recordar ao mundo o preço da nossa luta".
Na óptima de Zelensky, "esta verdade não pode ser inconveniente, inapropriada ou chamada de 'demonstração política num evento desportivo'", explicando que é "um lembrete para o mundo do que a Rússia é".
O presidente ucraniano refere ainda que este gesto "recorda o papel global do desporto e a missão histórica do movimento olímpico - é tudo em paz e em prol da vida".
"A Ucrânia permanece fiel a isso. A Rússia prova o contrário", conclui.
His helmet bears portraits of our athletes who were killed by Russia. Figure skater Dmytro Sharpar, who was killed in combat near Bakhmut; Yevhen Malyshev, a 19-year-old biathlete killed by the occupiers near Kharkiv; and other Ukrainian athletes whose lives were taken by… https://t.co/IL2tFB786l
— Volodymyr Zelenskyy / Володимир Зеленський (@ZelenskyyUa) February 9, 2026
De recordar que a Rússia invadiu a Ucrânia no dia 24 de fevereiro de 2022. O conflito completa assim, dentro de dias, quatro anos.
O que aconteceu?
O ucraniano Vladyslav Heraskevych foi proibido pelo Comité Olímpico Internacional (COI) de utilizar em competição um capacete que homenageia atletas mortos na guerra.
Vladyslav Heraskevych vai participar na competição de skeleton, mas o comité considerou que o uso do capacete violava as regras que proíbem mensagens políticas em Jogos Olímpicos. No entanto, o organismo acabou por permitir que o ucraniano possa utilizar um fumo negro no braço, algo que também já foi negado no passado.
"Penso que o que tentámos fazer foi atender os seus desejos com compaixão e compreensão. Ele expressou-se nas redes sociais e nos treinos e, como sabem, não o vamos impedir de se expressar em conferências de imprensa, nas zonas mistas e em outros locais. Achamos que este é um bom compromisso", disse o porta-voz do COI, Mark Adams.
Por sua vez, o atleta condenou a decisão do COI, classificando-a como injusta.
"Hoje vou falar-vos sobre o capacete com que vou competir nos Jogos Olímpicos, daqui a poucos dias. No capacete estão representados atletas que foram mortos durante a guerra - ou, para ser mais preciso, apenas uma pequena parte deles. É injusto, e estas pessoas não deviam ter-nos deixado tão jovens. Com isto, quero prestar-lhes uma homenagem e às suas famílias. O mundo precisa de saber o verdadeiro preço da liberdade ucraniana", disse o atleta na segunda-feira, num vídeo partilhado nas redes sociais.















