Ataques. Quase 5 mil com exames especiais após perderem provas Moçambique

  • 09/01/2026

"De acordo com o levantamento temos de avaliar cerca de 4.928 alunos. E este número pode aumentar porque o trabalho de identificação ainda continua. Até ao momento já localizámos fisicamente cerca de 2.907 crianças e sabemos exatamente onde elas se encontram", afirmou William Tunzine, diretor provincial de Educação em Nampula.

 

Em causa estão exames especiais que vão decorrer de 19 a 22 de janeiro para os alunos que entre novembro e dezembro não conseguiram fazer as provas finais do ano letivo de 2025, devido à deslocação de milhares de famílias nos distritos de Memba e Eráti, fugindo aos ataques de grupos de insurgentes, que operam na vizinha província de Cabo Delgado desde 2017.

"Muitas crianças movimentaram-se com as famílias e, de certa forma, não conseguiram fazer o exame, mesmo nos distritos onde estiveram acolhidas", explicou o responsável do setor em Nampula.

Acrescentou que para assegurar melhores condições de aprendizagem estão a ser distribuídas fichas de apoio e reforçada a presença de professores nas escolas onde as crianças se encontram, com o apoio de parceiros de cooperação, como organizações não-governamentais.

Além do reforço pedagógico, acrescentou William Tunzine, várias organizações estão a prestar apoio psicossocial às crianças, reconhecendo os impactos emocionais provocados pelo terrorismo e pelo deslocamento forçado, desde setembro passado: "Acreditamos que isso é fundamental para o seu equilíbrio e rendimento escolar".

No plano logístico, está prevista a criação de cerca de 107 centros de exames especiais, sendo 95 em Memba e 12 em Eráti, envolvendo aproximadamente 120 professores", assegurou o dirigente do setor de Educação em Nampula.

Estes exames especiais deverão estar concluídos antes da abertura oficial do ano letivo de 2026, prevista para 30 janeiro em todo o o país.

A província de Cabo Delgado, no norte de Moçambique, rica em gás, é alvo de ataques extremistas há oito anos, com o primeiro ataque registado em 05 de outubro de 2017, no distrito de Mocímboa da Praia.

Em 2025 registaram-se focos destes ataques, com vítimas mortais, também nas vizinhas províncias do Niassa e de Nampula, nesta última provocando, segundo organizações internacionais, mais de 108 mil deslocados.

A organização de Localização de Conflitos Armados e Dados de Eventos (ACLED, na sigla em inglês) estimou no início deste mês que a província moçambicana de Cabo Delgado registou 14 eventos violentos entre 10 e 23 de novembro, envolvendo extremistas do Estado Islâmico e provocando 12 mortos, e alertou para o agravamento da situação em Nampula.

De acordo com o mais recente relatório da ACLED, dos 2.270 eventos violentos registados desde outubro de 2017, quando começou a insurgência armada em Cabo Delgado, um total de 2.107 envolveram elementos associados ao Estado Islâmico Moçambique (EIM).

Estes ataques provocaram em pouco mais de oito anos 6.341 mortos.

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FONTE: https://www.noticiasaominuto.com/mundo/2916461/ataques-quase-5-mil-com-exames-especiais-apos-perderem-provas-mocambique#utm_source=rss-mundo&utm_medium=rss&utm_campaign=rssfeed


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